Bennett e Lapid unem forças: Nova aliança busca derrubar Netanyahu e mudar a direção de Israel rumo às próximas eleições
Em um movimento político de grande impacto, dois dos mais proeminentes rivais do atual primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, anunciaram a fusão de seus partidos com o objetivo claro de unificar a oposição e disputar as próximas eleições. A aliança entre os ex-premiês Naftali Bennett, de direita, e Yair Lapid, do centro, visa criar uma frente sólida capaz de desafiar a longa permanência de Netanyahu no poder.
Bennett e Lapid divulgaram comunicados neste domingo (26) formalizando a união de seus partidos, Bennett 2026 e Yesh Atid (Há um Futuro). A decisão surge em um momento de crescente descontentamento com o governo de Netanyahu, especialmente após o ataque do Hamas em outubro de 2023, que abalou a percepção de segurança do país e intensificou a turbulência regional. As pesquisas de opinião indicam uma queda na popularidade do atual primeiro-ministro.
A nova formação política, que se chamará Juntos, com Naftali Bennett como líder, representa uma tentativa de apresentar uma alternativa coesa e mais moderada ao eleitorado israelense. A declaração conjunta dos líderes enfatizou a necessidade de uma mudança de rumo para o país, visando um futuro mais estável e unido. Conforme informação divulgada pelos próprios políticos, “Estamos aqui juntos pelo bem de nossos filhos. O Estado de Israel precisa mudar de direção”, disse Lapid, e Bennett acrescentou: “Depois de 30 anos, é hora de se separar de Netanyahu e abrir um novo capítulo para Israel”.
Histórico de Alianças e Desafios para a Nova Coalizão
Esta não é a primeira vez que Bennett e Lapid se unem para confrontar Netanyahu. Em 2021, eles lideraram uma coalizão que conseguiu, de forma inédita e por um breve período, interromper o mandato consecutivo de 12 anos de Netanyahu. No entanto, aquele governo, marcado por uma maioria apertada e profundas divergências internas, especialmente sobre o conflito israelense-palestino, durou apenas 18 meses. A inclusão histórica de um partido árabe, a Lista Árabe Unida (LAU), na coalizão de 2021, foi um marco, mas também um ponto de discórdia para setores mais conservadores.
Apesar do breve sucesso anterior, a união de 2021 demonstrou a complexidade de governar Israel com coalizões heterogêneas. Netanyahu, por sua vez, já demonstrou grande habilidade em se manter no poder. Em resposta à notícia da nova aliança, ele publicou em sua conta no Telegram uma foto de 2021 de Bennett, Lapid e Mansour Abbas, líder da LAU, com a legenda “Eles fizeram uma vez, farão de novo”, sinalizando sua intenção de explorar as fragilidades históricas de seus oponentes.
Prioridades da Nova Aliança e Críticas ao Governo Atual
Naftali Bennett, conhecido por sua postura firme em segurança e por ter sido um ex-militar e empresário do ramo de tecnologia, busca agora se distanciar de alianças com partidos árabes e rechaça a ideia de ceder territórios ocupados. Ele tem aparecido atrás de Netanyahu em pesquisas recentes, com projeções indicando cerca de 21 cadeiras para seu partido, contra 25 para o Likud de Netanyahu. A pesquisa da N12 News de Israel, de 23 de abril, sugere que a nova coalizão de Bennett e Lapid poderia somar pelo menos 60 cadeiras, o suficiente para formar maioria no Knesset (parlamento israelense).
Yair Lapid, por sua vez, representa a voz da classe média secular de Israel, cada vez mais frustrada com a carga tributária e o serviço militar. Ele e Bennett têm feito da questão da isenção do serviço militar para as comunidades ultraortodoxas, aliadas de Netanyahu, um ponto central de suas campanhas. Essa questão se tornou ainda mais sensível com o aumento do número de baixas militares nos últimos anos, atingindo o maior índice em décadas.
Desafios Estratégicos e o Legado de Netanyahu
A dupla de oposição também critica a estratégia de Netanyahu em relação ao Irã e seus aliados regionais, como o Hezbollah e o Hamas. Argumentam que o primeiro-ministro não conseguiu traduzir os avanços militares em vitórias estratégicas duradouras. A figura de Netanyahu, o primeiro-ministro mais longevo de Israel, é central na política do país há décadas, sendo visto por seus apoiadores como um líder forte e experiente, mas por seus opositores como uma figura polarizadora que estagnou o país.
O ataque do Hamas em outubro de 2023 e a subsequente guerra em Gaza expuseram fragilidades na segurança e na condução política de Netanyahu, intensificando o debate sobre sua liderança. As próximas eleições, previstas para ocorrer até o final de outubro, prometem ser um divisor de águas para Israel, com a nova aliança buscando capitalizar a insatisfação popular e a necessidade de um novo começo.





