Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Brasil em “Vazio Estratégico”: Luciana Bauer Alerta Sobre Risco à Soberania na Disputa Global por Minerais Críticos e Terras Raras

Brasil enfrenta “vazio estratégico” em minerais críticos, ameaçando soberania e desenvolvimento industrial, adverte especialista.

O Brasil possui um arcabouço jurídico robusto para gerir suas riquezas minerais, mas carece de uma estratégia clara para transformá-las em desenvolvimento industrial e tecnológico. Essa é a análise de Luciana Bauer, especialista em justiça e direito climático, que destaca um “vazio estratégico” com potenciais riscos à soberania nacional.

Em um cenário de intensa disputa global por minerais críticos e terras raras, essenciais para a transição energética e para indústrias de ponta, o país corre o risco de ficar para trás. A falta de um plano de longo prazo com metas definidas impede que o Brasil capitalize seu vasto potencial geológico.

A avaliação de Bauer, que também é ex-juíza federal e fundadora do Instituto Jusclima, foi divulgada pela Agência Brasil e ressalta a necessidade de detalhar os princípios constitucionais em estratégias práticas para o benefício da população. O estudo que ela elaborou com o cientista político Pedro Costa, a pedido da Rede Soberania, embasa recomendações para o Projeto de Lei nº 2.780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

A Necessidade de um Plano Estratégico Nacional

Luciana Bauer enfatiza que a mera posse de recursos minerais não garante uma vantagem estratégica. O Brasil, segundo ela, precisa ir além da extração e definir seu papel na nova economia global. A questão central é decidir se o país atuará como mero fornecedor de matéria-prima ou como um protagonista na geração de valor, tecnologia e desenvolvimento.

A especialista aponta que a Constituição Federal já estabelece a soberania brasileira sobre o subsolo e as commodities minerais, determinando que a exploração só pode ocorrer com autorização da União e de acordo com o interesse nacional. Contudo, a densificação desses princípios em estratégias concretas é o que falta.

O Projeto de Lei nº 2.780/2024, que busca instituir a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, é visto por Bauer como um passo positivo, mas ainda um “marco regulatório mínimo”. Ela sugere que o projeto, após aprovação na Câmara dos Deputados, necessitará de aprimoramentos significativos no Senado.

Modelo Híbrido e a Disputa por Minerais Críticos

A Rede Soberania, com base no estudo de Bauer e Costa, defende um “modelo híbrido de gestão” para os recursos minerais estratégicos. Este modelo, que articula coordenação e controle regulatório estatal com a atuação privada, é inspirado no sistema chinês e visa o controle das cadeias de valor, e não apenas a posse dos recursos.

Bauer desmistifica a ideia de que apenas grandes players empresariais podem atuar na mineração de terras raras e minerais críticos, citando o exemplo de diversas pequenas mineradoras na China, Austrália e Canadá. Ela argumenta que a chave está na articulação e no controle regulatório estatal.

Entre as propostas da Rede Soberania, estão a adoção de uma política de estoques estratégicos pela União, condicionantes para a exportação de minério bruto ou concentrado, e a obrigatoriedade de consulta a comunidades indígenas e tradicionais.

Potencial Brasileiro e a Definição de Minerais Estratégicos

O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, com cerca de 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China. No entanto, apenas 25% do território nacional foi mapeado, indicando um potencial ainda inexplorado.

Minerais estratégicos são aqueles essenciais para o desenvolvimento econômico, impulsionando produtos de alta tecnologia, defesa e a transição energética. Minerais críticos enfrentam riscos de abastecimento devido à concentração geográfica, dependência externa e instabilidade geopolítica.

As terras raras, um grupo de 17 elementos químicos, são cruciais para tecnologias como carros elétricos, baterias e sistemas de defesa. A definição de quais minerais se enquadram como estratégicos ou críticos pode variar entre países e ao longo do tempo, dependendo de avanços tecnológicos e do cenário geopolítico global.

Veja também

Newsletter

Assine nossa newsletter e fique por dentro das novidades!

Mais Vistos