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Guerrilheiro mais procurado da Colômbia, Iván Mordisco, anuncia trégua durante eleições presidenciais em meio a crise de violência

Dissidência das Farc anuncia trégua nas eleições colombianas em meio a onda de violência

A dissidência da extinta guerrilha das Farc, liderada pelo guerrilheiro mais procurado da Colômbia, Iván Mordisco, anunciou uma trégua para as eleições presidenciais de 31 de maio. A decisão surge em um contexto de altos índices de violência que assola o país, tornando a disputa eleitoral ainda mais tensa.

Os rebeldes do Estado-Maior Central (EMC), que rejeitaram o acordo de paz de 2016, são apontados como um dos principais responsáveis pela deterioração da segurança na Colômbia. O país atravessa sua pior crise de violência em uma década, próximo às eleições que definirão o sucessor do presidente Gustavo Petro, um ex-guerrilheiro.

A iniciativa de suspender as ações visa proporcionar um ambiente de maior tranquilidade para que os cidadãos possam exercer seu direito ao voto de forma massiva e segura. A informação foi divulgada em comunicado oficial do grupo. Conforme relatado, a trégua proposta busca garantir que o povo colombiano possa ir massivamente às urnas.

Tentativas de “Paz Total” e o Cenário de Insegurança

O presidente Gustavo Petro, em sua política de “paz total”, buscou negociar com Iván Mordisco e seu grupo visando o desarmamento de todas as organizações armadas no país. No entanto, essas tentativas de negociação esbarraram em dificuldades e não obtiveram o sucesso esperado até o momento.

O grupo EMC, sob o comando de Mordisco, tem sido associado a graves episódios de violência. Em abril, homens ligados ao guerrilheiro foram responsáveis por um atentado com explosivos em uma rodovia no sudoeste do país, que resultou na morte de 21 pessoas. Este ataque foi considerado o pior contra civis em duas décadas.

Após o desarmamento das Farc, que se transformaram em um partido político, o governo colombiano mantém negociações apenas com o cartel do narcotráfico Clã do Golfo e com algumas guerrilhas de menor expressão.

Candidatos e Ameaças no Processo Eleitoral

A violência no país tem impactado diretamente os candidatos e o próprio processo eleitoral. O senador de esquerda Iván Cepeda, que defende a continuidade das negociações, lidera as pesquisas de intenção de voto. Outros candidatos, como o ultradireitista Abelardo de la Espriella e a senadora Paloma Valencia, propõem uma abordagem mais dura contra o crime.

A insegurança se manifesta de diversas formas, com ameaças e ataques direcionados aos que buscam a presidência. Em agosto passado, o senador Miguel Uribe morreu vítima de um atentado a tiros em Bogotá, quando era cotado para ser o candidato presidencial do principal partido de oposição.

Abelardo de la Espriella, por exemplo, tem denunciado ameaças de morte e realiza seus discursos de campanha sob proteção de uma estrutura de vidro blindado. Paloma Valencia também relatou ter recebido mensagens intimidadoras, o que levou o governo a reforçar sua segurança.

Alerta de atentado contra aliado de Petro

Gustavo Petro informou ter recebido informações sobre um possível plano de atentado contra seu aliado, o senador Iván Cepeda. A ameaça ganha contornos ainda mais sérios considerando o histórico de violência política na Colômbia, onde o pai de Cepeda, Manuel Cepeda, também senador, foi assassinado na década de 1990.

A trégua anunciada pelo grupo de Iván Mordisco, embora seja um passo positivo, não dissipa completamente as preocupações com a segurança durante o período eleitoral. A expectativa é que as autoridades redobrem os esforços para garantir a proteção dos cidadãos e dos candidatos, permitindo que a democracia colombiana se manifeste livremente.

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