Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

De Shakira a Marina Sena: A Dança do Ventre e o Tribal Fusion Reconquistam o Pop Global

A volta triunfal da dança do ventre e do tribal fusion na cultura pop

Presentes na cultura pop desde os anos 90, vertentes da dança do ventre e o tribal fusion ganham novas representantes no Brasil e no mundo. O g1 ouviu artistas e especialistas para entender este novo momento que está reconquistando os palcos e as telas.

De “Hips Don’t Lie”, de Shakira, a Jade, de “O Clone”, e até mesmo o “Dança do Egito” do É o Tchan, a dança do ventre marcou presença na cultura pop. Contudo, com o passar dos anos, o estilo e sua estética foram gradualmente diminuindo sua visibilidade na mídia. Agora, o cenário muda, e o que vai, volta, com novos nomes incorporando elementos dessa dança.

O ressurgimento se manifesta em coreografias, estéticas e figurinos que remetem à dança do ventre e suas vertentes, como o tribal fusion. Artistas nacionais e internacionais estão redescobrindo e reinventando essa linguagem, trazendo-a para o centro das atenções. Conforme informação divulgada pelo g1, professoras e coreógrafas explicam os motivos por trás dessa nova onda de popularidade.

Shakira, a Embaixadora que Abriu Portas para o Pop Oriental

É impossível falar sobre a influência da dança do ventre no pop sem mencionar Shakira. Para as professoras e coreógrafas Mariana Quadros e Júlia Oliveira, a artista colombiana foi crucial para introduzir a dança do ventre no radar da cultura pop ocidental. Ela atuou como uma “embaixadora”, mesclando elementos tradicionais da dança do ventre árabe com o street dance.

Shakira consolidou sua imagem como uma artista não apenas latina, mas global. Sua abordagem, mais reconhecível, influenciou outras estrelas, como Beyoncé em “Beautiful Liar”. A música pop em geral, nos anos 2000, flertou intensamente com a cultura árabe, tanto em sonoridade quanto em coreografias e estética visual.

Clássicos do pop daquela década, como “Naughty Girl” de Beyoncé e “Buttons” das Pussycat Dolls, exibem influências orientais. Britney Spears também incorporou a linguagem da dança do ventre em “I’m a Slave 4 U”, com uma performance icônica no VMA de 2001, solidificando essa conexão.

Marina Sena e Nanda Tsunami: O Tribal Fusion Ganha Voz no Brasil

No Brasil, artistas como Marina Sena e Nanda Tsunami têm sido importantes difusoras do estilo. Marina Sena, em colaboração com Mariana Quadros, explorou o tribal fusion, uma fusão da dança do ventre com elementos de flamenco, dança indiana e estilos contemporâneos. Essa linguagem encontrou eco na artista.

“O meu movimento de corpo sempre foi naturalmente para esse lugar mais lânguido, essa dança mais espiritual”, explicou Marina Sena ao g1. “E o tribal fusion abraça exatamente esse lugar. Depois de muito tempo pesquisando vários estilos de dança, a gente encontrou no tribal fusion uma dança que cabia exatamente no meu corpo.”

O tribal fusion complementa a estética mística e naturalista do álbum “Coisas Naturais” de Marina Sena. Além dela, o estilo tem aparecido no trabalho de rappers, como Nanda Tsunami, demonstrando sua versatilidade e alcance. Júlia Oliveira, que trabalha com Nanda, ressalta que o tribal fusion também bebe do hip-hop, o que explica sua conexão com o rap.

Nostalgia e Influência Geracional no Novo Pop

O retorno de tendências dos anos 2000, incluindo a dança do ventre e o tribal fusion, pode ser explicado pela influência geracional. As artistas pop atuais cresceram consumindo o repertório daquela época, vendo ícones como Britney, Shakira e Beyoncé.

Essa exposição ao pop americano com influências orientais moldou a forma como essas novas artistas concebem a performance. No Brasil, a influência de “O Clone” e a figura de Jade como ícone fashion dos anos 2000 são inegáveis. Mesmo quem não viveu o auge de “Dança do Egito” do É o Tchan, teve acesso a essa referência cultural.

“Com certeza, tem um milhão de referências: a Shakira, ‘O Clone’… mas no momento que veio para a minha linguagem, veio porque o meu corpo naturalmente já fazia isso”, afirma Marina Sena. Ela destaca que essa conexão se deu de forma intrínseca, moldada por suas experiências de vida e consumo cultural.

Empoderamento Feminino e Conexão Corporal no Tribal Fusion

A dança do ventre e o tribal fusion ressoam com a busca por empoderamento feminino. Essas danças, que nascem do centro do corpo, promovem uma profunda conexão consigo mesma, com a própria essência individual. “Tem muito uma coisa do mistério, do sensual a partir da sensação e não da performance”, pontua Mariana Quadros.

Júlia Oliveira complementa, explicando que esses estilos dialogam com artistas que colocam o empoderamento feminino no centro de suas obras. “Tem rolado um movimento muito forte sobre esse resgate desse feminino, um feminino ancestral mesmo. Essas danças fazem relembrar esse aspecto mais instintivo, mais natural mesmo”, argumenta.

Essa dança se alinha perfeitamente com artistas que celebram a autonomia e o poder feminino. “[Músicas que vêm] para te lembrar do seu poder, te lembrar da sua autonomia… e isso casa muito com esse estilo de dança”, conclui Júlia. A estética sensual e misteriosa, aliada à profundidade e conexão corporal, faz do tribal fusion e da dança do ventre ferramentas poderosas para a expressão artística contemporânea.

Veja também

Newsletter

Assine nossa newsletter e fique por dentro das novidades!

Mais Vistos