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Ex-premiê da Espanha, Zapatero, é indiciado por tráfico de influência e lavagem de dinheiro em escândalo na pandemia

Ex-premiê da Espanha, Zapatero, é indiciado por tráfico de influência e lavagem de dinheiro em escândalo na pandemia

José Luis Rodríguez Zapatero, ex-primeiro-ministro da Espanha, foi formalmente indiciado por supostamente liderar uma rede de tráfico de influência e lavagem de dinheiro. Este é mais um revés para o governo de esquerda de Pedro Sánchez, que tem enfrentado uma série de escândalos de corrupção.

A Audiência Nacional, tribunal com jurisdição federal na Espanha, informou que a rede, que teria sido orquestrada por Zapatero, lucrava com a pressão exercida sobre autoridades públicas em nome de terceiros. Um dos principais beneficiados seria a companhia aérea espanhola Plus Ultra, que recebeu ajuda financeira do Estado em 2021.

Zapatero, um aliado importante do atual primeiro-ministro Pedro Sánchez, negou veementemente qualquer irregularidade. Em uma mensagem de vídeo divulgada, ele afirmou: “Quero reafirmar que toda a minha atividade pública e privada sempre foi conduzida com absoluto respeito à lei.” Conforme o tribunal, seu escritório e outros três locais foram revistados pela força-tarefa anticorrupção da polícia. O ex-primeiro-ministro foi intimado a depor no dia 2 de junho.

Investigação foca em ajuda à Plus Ultra durante a Covid-19

O caso aumenta a pressão sobre o governo de Pedro Sánchez, que já enfrenta uma investigação de corrupção envolvendo supostas propinas e inquéritos que atingem sua esposa e seu irmão. O esquema investigado visava influenciar a aprovação de 53 milhões de euros (equivalente a R$ 311 milhões) em ajuda pública à Plus Ultra, concedida por meio do fundo de apoio a empresas durante a pandemia de Covid-19.

O juiz José Luis Calama apontou indícios de que a rede utilizou empresas de fachada, documentos falsos e canais financeiros paralelos para ocultar a origem e o destino de fundos no valor de 1,95 milhão de euros (aproximadamente R$ 11,4 milhões). Pagamentos e contratos ligados à Plus Ultra, que a oposição afirma ter vínculos com o regime venezuelano, foram canalizados por meio de uma rede corporativa controlada por um intermediário.

Conexões e desdobramentos do caso

Segundo o tribunal, os fundos teriam chegado posteriormente a Zapatero e a uma empresa ligada às suas filhas. Zapatero governou a Espanha de 2004 a 2011, liderando políticas marcantes como a retirada de tropas do Iraque e a legalização do casamento homoafetivo. Ele é o primeiro premiê espanhol a ser formalmente investigado pelo Judiciário desde a transição para a democracia no país.

A porta-voz do atual governo, Elma Saiz, declarou que o gabinete está acompanhando o caso com “calma, confiança e respeito fundamental por um princípio que sustenta nosso sistema jurídico: a presunção de inocência”. O Partido Socialista defendeu Zapatero, afirmando que ele foi pioneiro em políticas progressistas e que a direita e a extrema-direita nunca o perdoaram por isso.

Oposição critica e relaciona o caso a Sánchez

O Partido Popular, da oposição conservadora, tem criticado os laços empresariais de Zapatero na Venezuela após sua saída da política. Em comunicado, o partido afirmou: “Zapatero é a musa do ‘sanchismo’ e essa musa foi indiciada pela Audiência Nacional”. A legenda concluiu dizendo que “O princípio que vincula os dois últimos presidentes de governo socialistas da Espanha é a corrupção”.

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