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Idosos de 70, 80 e até 90 anos se reinventam: como a geração analógica domina apps bancários e Pix com ajuda de filhos e netos

Idosos se adaptam à era digital: de filas de banco a Pix e WhatsApp, a revolução tecnológica na terceira idade

Por décadas, preencher cheques, enfrentar filas em bancos e guardar comprovantes em pastas eram rotinas familiares para muitos. Agora, aos 60, 70 e até 80 anos, essa geração precisa trocar o talão pelo Pix, o gerente pelo aplicativo e o balcão pelo WhatsApp. Essa é uma das mudanças tecnológicas mais rápidas e profundas já vivenciadas por uma geração.

A revolução digital transformou o sistema bancário brasileiro, obrigando milhões a migrarem para celulares, aplicativos e autenticações virtuais. Até tarefas simples, como ligar a televisão, agora podem exigir senha, conexão e atualizações, impulsionando uma adaptação acelerada.

A boa notícia é que essa adaptação tem sido bem-sucedida. Um levantamento da Serasa aponta que quase 80% dos idosos já utilizam aplicativos bancários. Estudos sobre mobile banking também indicam que o celular se tornou parte da rotina financeira dessa geração, conforme divulgado pela Serasa.

Apoio familiar impulsiona a transição para o mundo dos apps

O fechamento de agências bancárias, a popularização do Pix e o auxílio de filhos e netos foram fatores cruciais para que idosos passassem de meros espectadores a usuários ativos da revolução digital. Apesar das dificuldades, inseguranças e o medo de golpes, a jornada tem sido marcada pela superação.

Paulo Godoy, de 79 anos, ilustra essa transição. Sua familiaridade com computadores começou nos anos 1990, acompanhando o filho na faculdade de Ciência da Computação. Ele lembra de trazer periféricos e montar computadores em casa, acompanhando toda a transformação.

A digitalização, que ele classifica como “avassaladora”, impõe desafios. “Antigamente você ligava a televisão e mudava o canal rodando o seletor”, lembra Godoy. “Hoje tem aplicativo, receptor, internet, sincroniza com celular. Desconfigura alguma coisa e vira uma loucura.”

Para ele, a paciência é a palavra-chave. “É como reaprender a ler. Uma coisa que meu filho faz em cinco minutos, eu levo umas duas horas.” Mesmo assim, ele realiza praticamente toda a vida financeira pelo celular, pagando boletos, acompanhando investimentos e operando renda fixa e ações.

O Pix, segundo Godoy, mudou completamente sua rotina. “Foi uma salvação. Antigamente você recebia cheque, tinha compensação, cheque sem fundo. Hoje resolve tudo na hora.” A relação com os bancos também mudou, com o gerente perdendo espaço para os aplicativos e o acesso direto à informação.

Golpes digitais: a principal preocupação da terceira idade

Eurides de Oliveira, de 83 anos, servidor federal aposentado, também atravessou a revolução digital com o apoio dos filhos. Hoje, ele vê muita praticidade no celular: Pix, transações bancárias, pagamentos e conversas no WhatsApp fazem parte da rotina.

A maior preocupação de Oliveira são os golpes digitais. “Hoje em dia está tudo muito bem feito. Tem que prestar atenção em tudo”, afirma. “Se desconfio de algo, nem clico.” Esse receio não é exagero, já que pesquisa da Silverguard apontou que idosos registram os maiores prejuízos médios em golpes digitais no Brasil, com perdas superiores a R$ 4,8 mil por vítima, conforme divulgado pela Silverguard.

Especialistas alertam que pessoas mais velhas se tornaram alvo preferencial de criminosos por já terem patrimônio acumulado e por demonstrarem maior confiança em contatos telefônicos e mensagens, especialmente com o avanço da inteligência artificial e fraudes que simulam vozes e rostos reais.

Adaptar-se para não ficar para trás

Waldemar Santos Guimarães, engenheiro de recursos hídricos aposentado, de 81 anos, vê a adaptação digital como uma continuação natural de sua vida profissional. Ele não se sente velho e atribui isso à disposição para continuar aprendendo.

Guimarães usa Pix regularmente e quase não frequenta mais agências bancárias. Apesar disso, ainda valoriza o contato presencial com os gerentes. “Às vezes vou lá conversar, entender alguma operação.”

Para ele, a tecnologia trouxe praticidade, mas não eliminou a necessidade de relações humanas, especialmente para uma geração acostumada ao atendimento “olho no olho”.

As histórias de Paulo, Eurides e Waldemar traduzem a percepção de que resistir à tecnologia deixou de ser uma opção. A geração criada entre cheques e cadernetas bancárias foi obrigada a aprender a viver em um mundo de QR Code, biometria facial e autenticação por aplicativo. Apesar das dificuldades, a travessia tem sido bem-sucedida. Como resume o aposentado, “Quem não se atualiza e não evolui fica para trás”.

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