Rússia Emprega Supermíssil “Orechnik” em Maior Ataque Aéreo Contra Ucrânia em Quatro Anos
A Rússia realizou um dos maiores ataques aéreos contra a Ucrânia desde o início da guerra, na madrugada deste domingo, 24 de março. Pela primeira vez no conflito, o país utilizou o supermíssil balístico de alcance intermediário “Orechnik”, que pode carregar múltiplas ogivas capazes de atingir velocidades hipersônicas, tornando-as praticamente indefensáveis.
O ataque, que atingiu um alvo próximo a Kiev, resultou na morte de ao menos 4 pessoas e deixou outras 80 feridas. O Ministério da Defesa russo classificou a ação como uma retaliação ao bombardeio que vitimou 18 pessoas em um dormitório estudantil na região de Lugansk, ocupada pela Rússia, na sexta-feira, 22 de março.
“Foi uma noite terrível em Kiev”, declarou o prefeito da capital ucraniana, Vitali Klitschko, em sua conta no Telegram. A ação russa concentrou-se na cidade, empregando cerca de 90 mísseis e 600 drones, um escopo de equipamento sem precedentes no conflito, conforme divulgado por fontes jornalísticas.
“Orechnik”: Um Sinal de Força com Potencial Nuclear
O lançamento do supermíssil “Orechnik”, cujo nome significa “aveleira” em russo, é interpretado como um forte sinal para a Europa, que busca uma solução diplomática para o conflito. Este míssil, projetado para cenários de conflito nuclear, foi disparado apenas outras duas vezes no conflito, em novembro de 2024 e janeiro deste ano. Em ataques anteriores contra a Ucrânia, ogivas sem explosivos foram utilizadas, causando destruição unicamente por sua força cinética.
Neste domingo, o alvo principal foi Bila Tservka, cidade localizada a 64 km ao sul de Kiev. Relatos não confirmados indicam um segundo ataque contra a própria capital ucraniana. O uso do “Orechnik” demonstra a capacidade russa de atingir qualquer capital europeia em questão de minutos, elevando a tensão na região.
Maior Exercício Nuclear Recente e o Papel da Bielorrússia
A ação russa segue um padrão de demonstração de força, evidenciado na semana passada com o maior exercício nuclear desde a Guerra Fria. Nesse exercício, foram disparados mísseis estratégicos e táticos, estes últimos em conjunto com a Bielorrússia, aliada da Rússia e fronteiriça a membros da OTAN. Essa demonstração visava enviar uma mensagem a potências como os Estados Unidos, representados por Donald Trump, e a China, com o líder Xi Jinping tendo recebido Vladimir Putin recentemente.
O míssil “Orechnik” se encaixa nesse contexto de ameaça, capaz de atingir alvos em toda a Europa. O primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, já criticou a ação em sua conta no X (antigo Twitter), classificando-a como uma “escalada irresponsável”, demonstrando a preocupação europeia com o uso de armamentos de ponta.
Armas Hipersônicas e Pressão sobre Putin na Ucrânia
Além do “Orechnik”, a Rússia empregou grande parte de seu arsenal operacional de armas hipersônicas, incluindo os mísseis ar-terra “Kinjal” e os “Tsirkon”, estes últimos disparados de baterias costeiras “Bastion” posicionadas em terra no sul russo. Mísseis balísticos “Iskander-M”, com alcance de 500 km e já testados em exercícios nucleares, também foram utilizados. Um batalhão armado com “Orechnik” está posicionado em solo bielorrusso, que, embora apoie a Rússia, não se envolveu diretamente no conflito até o momento.
Apesar de um certo alívio financeiro proveniente do relaxamento das sanções ocidentais sobre a venda de petróleo russo, impulsionado pela crise no Oriente Médio, Putin enfrenta pressão na Ucrânia. A falta de avanços decisivos e algumas derrotas na linha de frente, que se encontra praticamente congelada, têm gerado dissidências internas. Recentemente, o especialista geopolítico Vitali Kachin publicou um artigo na revista “Rússia nos Assuntos Globais”, sugerindo que Putin deveria buscar a paz imediatamente, argumentando que nenhum dos lados pode vencer definitivamente a guerra e que o Kremlin deveria se contentar com os 20% da Ucrânia já conquistados e forçar a neutralidade militar do país vizinho.





