Ed Sheeran em polêmica: Rapper Macklemore é retirado de turnê após declaração pró-Palestina
A turnê de Ed Sheeran nos Estados Unidos se tornou palco de uma intensa controvérsia após o rapper Macklemore, um dos artistas de abertura, fazer uma declaração em apoio à Palestina. A decisão de retirá-lo das apresentações seguintes gerou reações em cadeia, dividindo opiniões entre músicos, fãs e personalidades.
O próprio Macklemore se manifestou sobre o ocorrido em uma publicação no Instagram, enfatizando que, apesar das consequências, ele e outros artistas possuem privilégios que as vítimas do conflito não têm. Ele declarou: “Quaisquer que sejam as consequências que enfrentemos pelo que dizemos, podemos voltar para casa e para nossas famílias. As vítimas são os palestinos.”.
Ed Sheeran, por sua vez, buscou esclarecer sua posição, afirmando que a decisão de afastar Macklemore partiu da promotora da turnê, a Messina Touring Group. O cantor britânico declarou: “Tenho minhas visões pessoais sobre esse conflito devastador. Só porque eu escolho não falar publicamente, não significa que eu não as tenho, e não significa que eu não me importo”. A polêmica ganhou força com a saída de outros artistas que se solidarizaram com Macklemore e com a causa palestina, conforme informações divulgadas pelo jornal “The Guardian”.
Artistas abandonam a turnê em protesto
A decisão de afastar Macklemore provocou uma onda de solidariedade. Os cantores Finneas, Aaron Rowe e Lukas Graham, além da banda Beoga, anunciaram que não mais abrirão os shows de Ed Sheeran. Essa ação resultou na perda de todas as atrações de abertura para a sequência da turnê, que tem datas marcadas até 11 de dezembro.
Finneas, que se apresentaria em São Paulo, expressou no Instagram: “Artistas não devem ser silenciados por se manifestar contra a opressão”. Lukas Graham acrescentou: “Deveríamos poder falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que vivam. Qualquer que seja a sua bandeira”. A banda Beoga, que também se apresentava com Sheeran em trechos de repertório com influências irlandesas, declarou: “Somos irlandeses que entendem colonialismo. Como membros fundadores do movimento Artistas Irlandeses pela Palestina, somos ativistas com compromisso pela justiça e continuaremos a ser”.
Críticas e defesas à decisão
A controvérsia escalou com manifestações de outras figuras públicas. O ator Javier Bardem usou seu Instagram para convocar um boicote a Ed Sheeran, criticando a justificativa de neutralidade política apresentada pelo artista e pela produtora. Em contraste, a cantora Pink repostou uma mensagem que criticava a manifestação de Macklemore, posteriormente explicando em um longo texto que, como mãe judia, a fala do rapper a assustou.
Robert Kraft, dono de um dos estádios que sediaria um show, defendeu a decisão da promotora. Ele ressaltou o caráter apolítico e unificador da música de Ed Sheeran e afirmou que a exclusão de Macklemore se deu por “comentários e um histórico mais amplo de retórica e imagens antissemitas que consideramos profundamente ofensivas e prejudiciais à comunidade judaica”.
O início da polêmica e o contexto
Tudo começou em 4 de setembro, quando Macklemore gritou “Free Palestine” durante seu show no MetLife Stadium, em Nova Jersey, e expressou solidariedade às populações de Gaza e Cisjordânia. Essa declaração levou a uma petição do Conselho Israelense-Americano solicitando sua exclusão da turnê. A Messina Touring Group confirmou à revista “Rolling Stone” que, devido à oposição de alguns locais, Macklemore não se apresentaria nas datas restantes como atração de apoio.
O rapper estava programado para abrir oito dos dez shows restantes da turnê nos EUA. Cidades como Boston, Atlanta e Dallas foram citadas como locais cujos responsáveis se opuseram ao retorno de Macklemore. Um relatório de junho de um comitê de investigação da ONU apontou que Israel alvejou deliberadamente crianças em Gaza, caracterizando tais práticas como genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra, com cerca de 30% dos mortos na guerra em Gaza sendo crianças, segundo o documento.




