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Trump Impulsiona Mudanças Drásticas em Mapas Eleitorais nos EUA: 20% dos Distritos Alterados Antes das Midterms

A pressão de Donald Trump para alterar o mapa eleitoral nos Estados Unidos já mudou ou está em processo de mudar divisões de distritos eleitorais em 10 estados, o que representa 20% do total. O objetivo é favorecer um ou outro partido nas próximas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, em novembro.

Donald Trump tem exigido de aliados em estados de maioria republicana que os distritos eleitorais sejam redefinidos. A meta explícita é aumentar as chances do partido eleger candidatos em locais onde tradicionalmente não detêm maioria.

O foco principal é ampliar a estreita maioria republicana na Câmara dos Representantes. Atualmente, o partido conta com 217 republicanos contra 212 democratas, com um independente que geralmente vota com os republicanos, compondo a maioria simples de 218 deputados.

Estados como Texas, Missouri, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Ohio, Flórida, Tennessee e Alabama já tiveram ou estão em processo de mudanças em seus mapas eleitorais para favorecer os republicanos. Já a Califórnia e Utah estão inclinados a mudanças que beneficiam os democratas. Conforme informação divulgada pelo conteúdo original, com essas alterações, espera-se que os republicanos conquistem de 8 a 10 cadeiras a mais, mesmo com a reação democrata.

O que é ‘Gerrymandering’ e por que é controverso?

A prática de manipular o desenho dos distritos eleitorais, conhecida como ‘gerrymandering’, não é nova na política americana. No entanto, a pressão de Trump traz um elemento de novidade: essas alterações geralmente ocorrem a cada dez anos, após a atualização dos dados do Censo nacional. Desta vez, o processo está ocorrendo no meio da década, com dados demográficos desatualizados, tornando o processo mais explicitamente político.

Essa alteração flagrantemente partidária no meio da década era mais comum no século 19 e foi caindo em desuso. No início do século 20, alguns estados com força política concentrada em zonas rurais passaram a recusar mudanças para evitar que as áreas urbanas, cada vez mais populosas, ganhassem proeminência.

A partir da década de 1960, decisões da Suprema Corte estabeleceram que os distritos precisavam ser redesenhados para garantir que os votos de cada eleitor tivessem a mesma força. Isso abriu portas para que mapas estaduais fossem questionados na Justiça.

A influência da Suprema Corte e a nova interpretação da Lei dos Direitos do Voto

Dos 40 redesenhos de distritos realizados no meio da década entre 1970 e 2025, 36 foram por ordem judicial, segundo o Pew Research Center. Esse cenário indica um período de novas normas e judicialização. Contudo, sob a influência de Trump, o número de redesenhos voluntários pelos estados no meio da década já supera em mais de duas vezes o registrado nos 55 anos anteriores.

Em agosto passado, a pressão de Trump se intensificou em abril. A Suprema Corte, com maioria conservadora, mudou seu entendimento sobre a Lei dos Direitos do Voto ao declarar inconstitucional um mapa da Louisiana que adicionava um segundo distrito eleitoral de maioria negra. Essa decisão, na prática, permite que estados usem a raça como critério para desenhar os distritos.

Michael Waldman, CEO do Centro Brennan para Justiça da Faculdade de Direito da Universidade de Nova York, criticou a decisão, afirmando que ela, “na prática, destrói a Lei dos Direitos do Voto”, permitindo “discriminação racial e também serve a interesses abertamente hiperpartidarizados”.

Exemplos Práticos de Manipulação Partidária

Um exemplo claro desse movimento ocorreu no Tennessee. Republicanos foram eleitos em 8 dos 9 distritos, com exceção da região de Memphis, que possui grande população negra e é historicamente ligada ao movimento dos direitos civis. Com o redesenho recente, a população de Memphis foi diluída em outros três distritos, reduzindo as chances de a população negra continuar elegendo um representante.

Steve Cohen, deputado democrata eleito no distrito anterior ao redesenho, retirou sua candidatura à reeleição após a aprovação do novo mapa. Essa prática se multiplicou em estados do Sul, como Louisiana, Alabama e Tennessee, com histórico segregacionista e que hoje são bases conservadoras do Partido Republicano.

Adicionalmente, a Suprema Corte manteve uma decisão da Justiça da Virgínia que derrubou uma alteração proposta por democratas no mapa eleitoral do estado, que daria mais quatro cadeiras ao partido. Essa decisão reforça a tendência de favorecer o Partido Republicano em detrimento do Partido Democrata.

Efeito Polarizador e a Redução de Distritos Competitivos

Além da questão racial, o ‘gerrymandering’ partidário tem um efeito polarizador. Ele não apenas aumenta o número de distritos que favorecem um partido, mas também diminui a quantidade de distritos mais competitivos. Uma análise do jornal The New York Times indica que os redesenhos mais recentes eliminaram ao menos 13 distritos onde o candidato presidencial de 2024 venceu por menos de dez pontos percentuais.

Na Flórida, por exemplo, Kamala Harris venceu em cinco distritos com essa margem menor. Com o novo mapa eleitoral, a votação presidencial nesses distritos mais disputados migrará para os republicanos. No Texas, os dois únicos distritos onde Trump venceu por margem menor deixaram de existir e foram incorporados a novos distritos onde ele teria vencido com uma margem maior.

Eric Schickler, cientista político da Universidade da Califórnia em Berkeley, comentou que, ao se livrar de cadeiras competitivas, “vai simplesmente ter uma resposta menor quando eleitores estiverem insatisfeitos”. Isso sugere um cenário de menor engajamento e representatividade em distritos menos disputados.

Entendendo os Distritos Eleitorais nos EUA

Nos Estados Unidos, cada estado tem um número de deputados proporcional à sua população. A Califórnia, o estado mais populoso, elege 52 deputados, enquanto estados menos populosos, como Alasca e Delaware, elegem apenas um. Diferentemente do Brasil, onde se vota em qualquer candidato a deputado federal do estado, nos EUA o eleitor elege candidatos de seu distrito eleitoral.

Esses distritos visam ser equitativos, com uma média de 761.169 habitantes, segundo o Censo de 2020. O tamanho e o formato dos distritos mudam periodicamente e não precisam respeitar divisões administrativas internas dos estados. Bairros de uma mesma cidade podem pertencer a distritos diferentes.

Em muitos casos, o Legislativo de cada estado determina o mapa dos distritos. Mesmo com limitações federais e estaduais, o processo é essencialmente político. Quem controla o estado tem maior poder para influenciar a delimitação dos distritos, buscando beneficiar o seu partido, especialmente em um sistema bipartidário onde os grupos sociais eleitores de cada partido são mais facilmente identificáveis.

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