China se consolida como polo diplomático global com recepção ao Paquistão, após visitas de líderes dos EUA e Rússia, enquanto o país asiático assume papel de mediador em conflitos internacionais.
O líder chinês, Xi Jinping, recebeu Shehbaz Sharif, primeiro-ministro do Paquistão, em Pequim, poucos dias após o país asiático sediar encontros com Donald Trump e Vladimir Putin. A visita oficial celebra os 75 anos de relações diplomáticas entre China e Paquistão e sublinha a ambição chinesa de se firmar como um ponto central na diplomacia mundial.
A agenda bilateral incluiu discussões sobre o Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC), um projeto vital para a estratégia chinesa da Nova Rota da Seda. No entanto, o pano de fundo do encontro também esteve marcado pela crescente relevância do Paquistão como mediador em conflitos, especialmente a guerra no Irã.
A reunião ocorre em um cenário geopolítico complexo, onde Pequim busca projetar sua influência e o Paquistão navega entre diferentes potências. Conforme informações divulgadas, a China sempre priorizou suas relações com o Paquistão, mesmo em meio a instabilidades globais, enquanto Sharif defendeu o multilateralismo e a parceria entre as nações.
CPEC e a Nova Rota da Seda: Projetos em Destaque
Um dos principais focos da reunião entre Xi Jinping e Shehbaz Sharif foi o avanço do Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC). Este megaprojeto de infraestrutura visa facilitar o escoamento de mercadorias chinesas através do porto de Gwadar, sendo um componente crucial da iniciativa global chinesa da Nova Rota da Seda.
O Paquistão busca otimizar as condições deste programa, que pesquisadores apontam como um divisor de águas para a economia paquistanesa. A parceria estratégica entre os dois países é fundamental para o desenvolvimento de infraestrutura e o fortalecimento do comércio na região.
Paquistão no Centro das Negociações: O Papel de Mediador
A relevância do Paquistão como mediador em conflitos internacionais ganhou destaque, especialmente em relação à guerra no Irã. A expectativa é que a reabertura do Estreito de Hormuz tenha sido um dos temas discutidos entre os líderes, evidenciando o papel diplomático ascendente do país asiático.
Joshua Kurlantzick, pesquisador sênior do Council on Foreign Relations, aponta que o Paquistão obteve ganhos com negociações em torno do conflito iraniano e com a melhora do relacionamento com os EUA. No entanto, Kurlantzick levanta dúvidas sobre a sustentabilidade dessas conquistas, afirmando que “a questão mais difícil é se Islamabad conseguirá de fato transformar este momento em algo duradouro. E nisso, a história não inspira muita confiança”.
Aproximação Estratégica com os EUA e a Dependência da China
Nos últimos anos, o premiê paquistanês Shehbaz Sharif tem buscado uma aproximação estratégica com Washington. Um encontro de alto nível com Donald Trump na Casa Branca, em setembro do ano passado, marcou essa aproximação.
O Paquistão se encontra em uma posição delicada, equilibrando relações com Pequim e Washington. A dependência econômica e militar da China é significativa, com o país asiático sendo o maior credor individual do Paquistão, respondendo por cerca de 30% de sua dívida externa. Além disso, armamentos chineses foram cruciais para o Paquistão em conflitos recentes com a Índia.
Kurlantzick ressalta que a China utiliza esses encontros para reforçar a dependência do Paquistão em relação a Pequim, indicando que essa relação não mudará em breve. O resultado provável do encontro em Pequim deve focar na continuidade do trabalho em questões internacionais e em negociações sobre o CPEC, antes que o Paquistão retorne a uma situação de fragilidade econômica e limitada capacidade de ação.





