Morte de Influenciador Fitness Liga Sinal de Alerta Sobre Riscos Cardíacos do Uso de Anabolizantes
A trágica morte do influenciador e fisiculturista Gabriel Ganley, de apenas 22 anos, vítima de cardiomiopatia hipertrófica, reacendeu o debate sobre os perigos do uso de anabolizantes na saúde do coração. Ganley, que compartilhava sua rotina de treinos com mais de 1,7 milhão de seguidores e já havia revelado o uso dessas substâncias, foi encontrado sem vida em seu apartamento em São Paulo.
Essa fatalidade evidencia a necessidade de um alerta geral sobre os riscos associados ao uso indiscriminado de esteroides anabolizantes, especialmente entre jovens e atletas que buscam performance e estética a qualquer custo. A cardiomiopatia hipertrófica, causa apontada em seu atestado de óbito, é uma condição grave que pode ter suas bases genéticas agravadas pelo uso dessas drogas.
Especialistas alertam que o coração, sendo um músculo, também pode sofrer hipertrofia quando exposto a doses elevadas de anabolizantes, crescendo de forma desproporcional e colocando a vida em risco. Conforme informações divulgadas, a morte do influenciador Gabriel Ganley lança luz sobre essa perigosa associação.
O Que São Anabolizantes e Seus Riscos Para o Coração
Os esteroides anabolizantes (EA) são substâncias sintéticas derivadas da testosterona, o principal hormônio masculino. Embora tenham uso médico legítimo para tratar deficiências hormonais, como o hipogonadismo, seu emprego sem supervisão profissional para fins estéticos ou de performance esportiva é proibido e extremamente prejudicial à saúde.
O uso regular e em doses elevadas de anabolizantes pode levar à hipertrofia do coração. O cardiologista Herbert Lima Mendes, professor do Idomed, explica que essa condição faz com que o músculo cardíaco cresça acima do normal, da mesma forma que ocorre com outros músculos do corpo. Esse crescimento descontrolado pode comprometer seriamente a função cardíaca.
A cardiomiopatia hipertrófica resulta no espessamento anormal do músculo cardíaco, tornando-o mais rígido. Essa rigidez dificulta o bombeamento de sangue para o corpo e o relaxamento adequado do coração, sendo uma das principais causas de morte súbita em jovens e atletas. A longo prazo, essa condição pode evoluir para uma insuficiência cardíaca grave.
A “Síndrome de Super Homem” e o Aumento do Risco
Entre atletas que utilizam anabolizantes, é comum a ocorrência do que se chama de “Síndrome de Super Homem”. Essa síndrome se manifesta na crença de que os riscos associados ao uso de anabolizantes não se aplicam a si mesmos, levando a uma falsa sensação de invencibilidade. “Os atletas dizem que isso acontece com os outros, não vai acontecer comigo. Eu não vou ter nada”, afirma Mendes.
O médico alerta que a ânsia por resultados rápidos leva muitos a aumentarem a dose e a quantidade de substâncias utilizadas, elevando exponencialmente o risco de complicações graves, incluindo a morte. Infelizmente, muitas pessoas iniciam o uso de anabolizantes sem realizar uma avaliação cardiológica prévia, descobrindo problemas de saúde apenas quando a doença já está em estágio avançado e de difícil tratamento.
Predisposição Genética e o Papel dos Anabolizantes
A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença com fundo genético, afetando aproximadamente um em cada 500 indivíduos, segundo a médica Marcely Bonatto, diretora da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Muitas pessoas podem ser portadoras da condição sem apresentar sintomas, pois ela pode se manifestar mais tarde, na segunda ou terceira década de vida.
Bonatto ressalta que, no caso de Gabriel Ganley, a cardiomiopatia poderia ser uma condição preexistente desconhecida. O uso de anabolizantes, nesse cenário, agiria como um fator agravante ou desencadeante para as consequências negativas, e não necessariamente como a causa absoluta da morte. Uma avaliação detalhada de exames cardíacos anteriores seria necessária para confirmar essa hipótese.
Independentemente da predisposição genética, o uso de anabolizantes pode acelerar ou exacerbar o desenvolvimento de doenças cardíacas. A falta de acompanhamento médico adequado durante o uso dessas substâncias aumenta significativamente os riscos, pois condições preexistentes podem não ser identificadas a tempo.
Prevenção e Exames Cardíacos: A Chave Para Evitar Tragédias
A prevenção é o pilar fundamental para evitar as graves consequências do uso de anabolizantes na saúde cardiovascular. Marcely Bonatto enfatiza a importância de exames cardiológicos regulares, mesmo para pessoas jovens, a fim de identificar precocemente qualquer condição cardíaca. Atletas de alto rendimento, fisiculturistas e triatletas, em especial, devem passar por avaliações cardiovasculares completas.
Exames básicos como eletrocardiograma e ecocardiograma poderiam ter auxiliado no diagnóstico da cardiomiopatia hipertrófica no caso de Ganley, potencialmente salvando sua vida. Bonatto reforça que “nem sempre a gente deveria esperar sintomas”, pois muitas doenças cardíacas são silenciosas em seus estágios iniciais. Sintomas como falta de ar ao esforço, dor no peito, tontura, desmaio e histórico familiar de morte súbita sem causa aparente devem motivar uma investigação cardiológica.
O uso de anabolizantes para fins estéticos ou de performance é proibido no Brasil. As substâncias são indicadas apenas em casos de deficiência comprovada de testosterona, sob estrita supervisão médica. No entanto, a prescrição inadequada por profissionais não qualificados ou o uso sem qualquer acompanhamento se tornaram comuns, levando a um número crescente de casos de impacto cardiovascular nos consultórios de cardiologia. Há relatos de pacientes jovens que necessitaram de transplante cardíaco devido ao uso indiscriminado dessas substâncias.





