Putin intensifica ofensiva na Ucrânia, desdobrando mísseis “superpoderosos” e mirando “centros de decisão” em Kiev
A Guerra da Ucrânia, iniciada pelo presidente russo Vladimir Putin há mais de quatro anos, adentra um capítulo preocupante. A decisão de escalar a guerra aérea contra Kiev, com a ameaça de atingir “centros de decisão”, marca uma nova e perigosa fase no conflito. O clima na capital ucraniana é de apreensão, com a expectativa de novos ataques, possivelmente repetindo o uso de mísseis de alta capacidade.
A escalada ocorre em um momento de estagnação na linha de frente. O avanço das tropas russas tem sido mínimo, levando Moscou a recorrer a táticas mais agressivas para pressionar o inimigo. Essa estratégia, descrita por analistas como o início de uma “guerra das cidades”, visa abalar a capacidade e a moral da Ucrânia.
A intensidade dos ataques com drones ucranianos, que resultaram em mortes de civis, parece ter sido um gatilho para a reação russa. A necessidade de apresentar uma resposta contundente, segundo especialistas, impulsionou a nova ofensiva. Esta informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo.
“Guerra das cidades”: um último recurso para Putin
Ruslan Pukhov, diretor do Centro de Análise de Estratégias e Tecnologias, um renomado instituto de estudos militares russo, avalia que a Rússia optou por aprofundar o conflito. Ele acredita que Putin ainda almeja objetivos maximalistas, possivelmente a imposição de um protetorado sobre toda a Ucrânia. Pukhov descreve a atual situação como “o início da ‘guerra das cidades'”, um recurso extremo diante do impasse militar.
A campanha contra o sistema energético ucraniano no inverno passado já seguia uma lógica semelhante, visando a desestabilização do adversário. A dificuldade em obter avanços significativos no campo de batalha, apesar de ganhos territoriais pontuais, tem levado a Rússia a buscar novas formas de exercer pressão.
A situação na linha de contato em Donetsk, uma das regiões mais disputadas, também reflete o endurecimento do combate. Um soldado russo, identificado apenas como Pavel, relatou à Folha de S.Paulo que a guerra se tornou “muito mais perigosa agora”, não apenas devido a mísseis ocidentais, mas também pela proliferação de drones acessíveis.
Ameaça de mísseis “superpoderosos” e o fantasma nuclear
A Ucrânia, por sua vez, trata a ameaça russa como um ato de desespero e intimidação. No entanto, a preocupação entre os moradores de Kiev é palpável. O engenheiro Vitali Uchenko expressou temor com o uso do míssil balístico de alcance intermediário, o Orechnik, que tem capacidade para atingir longas distâncias e é capaz de levar cargas nucleares. Ele mencionou que dois desses mísseis foram empregados recentemente contra a Ucrânia.
Uchenko ressaltou o poder destrutivo do Orechnik, mesmo sem ogivas explosivas, e manifestou o receio de que Putin possa recorrer a armas nucleares táticas, uma ameaça que o líder russo costuma evocar em momentos de tensão. Essa retórica nuclear tem sido acompanhada por exercícios militares e testes de mísseis de longo alcance.
A escalada também envolve acusações mútuas sobre drones atingindo países da OTAN e a possibilidade de uma nova mobilização russa para invadir o norte ucraniano via Belarus. A situação é agravada pela interrupção das negociações de paz, com Donald Trump tendo se afastado do conflito europeu.
Estagnação e falta de avanços alimentam a escalada do conflito
O conflito estagnado e a falta de avanços significativos em ambos os lados parecem alimentar um ciclo de escalada. Analistas apontam que os objetivos russos na Ucrânia permanecem um obstáculo para qualquer negociação de paz. A exigência de retirada de tropas ucranianas de territórios ocupados, por exemplo, é vista como um ponto de partida improvável para um acordo.
A dependência de tecnologia como o Starlink de Elon Musk para comunicações militares e o bloqueio de aplicativos de mensagens e VPNs pelo governo russo também adicionam complexidade ao cenário. A guerra na Ucrânia continua a gerar incertezas e a aumentar o risco de baixas civis, em uma espiral de violência que parece longe de um fim.
A avaliação geral é de que a ausência de uma solução diplomática e a persistência dos objetivos maximalistas de Putin contribuem para a prolongação e o agravamento do conflito, com consequências cada vez mais severas para a população civil.





