EUA e Irã trocam ataques militares em meio a tensões crescentes no Golfo Pérsico, elevando o risco de escalada do conflito e ameaçando a estabilidade global.
A região do Golfo Pérsico está novamente sob os holofotes de uma grave escalada de tensões. Os Estados Unidos realizaram novos ataques a alvos militares iranianos, descritos como ameaças às forças americanas e ao tráfego marítimo internacional. Em resposta, o Irã afirmou ter atacado uma base aérea dos EUA no Kuwait, de onde teriam partido as ofensivas contra seu território.
O Kuwait, por sua vez, confirmou ter respondido a ataques com mísseis e drones durante a madrugada, condenando as ações iranianas como uma “perigosa escalada” e exigindo que o Irã cesse os ataques, reservando-se o direito de tomar medidas para preservar sua segurança.
Esses eventos ocorrem em um momento crucial, com negociações em andamento para encerrar um conflito que já dura três meses, resultou em milhares de mortes e elevou drasticamente os preços globais de energia. A disputa pelo controle do Estreito de Ormuz e o programa nuclear iraniano permanecem como pontos centrais de discórdia entre Washington e Teerã. As informações foram divulgadas pela agência Reuters.
Ataques americanos e drones iranianos interceptados perto de Ormuz
Autoridades americanas, falando sob condição de anonimato, informaram à Reuters que os ataques dos EUA visaram um local militar iraniano que representava uma ameaça direta. Além disso, as forças americanas interceptaram e abateram múltiplos drones iranianos que apresentavam um risco semelhante. O Comando Central das Forças Armadas dos EUA declarou que a violação da trégua partiu do lado iraniano, que teria lançado um míssil em direção ao Kuwait, interceptado pelas defesas locais.
Segundo os EUA, as ações iranianas ocorreram horas após o lançamento de cinco drones de ataque unidirecional que ameaçavam a área de Ormuz. Todos os drones foram interceptados com sucesso, e o lançamento de um sexto drone, a partir de uma base de controle terrestre iraniana em Bandar Abbas, também foi impedido. Este último seria o alvo da retaliação iraniana, conforme alegações de Teerã.
Irã condena ataques e ameaça defender soberania nacional
A mídia iraniana reportou explosões a leste de Bandar Abbas antes do ataque americano, com a agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, relatando um ataque próximo à cidade após uma tentativa da Guarda de parar um “navio-tanque americano tentando transitar pelo Estreito de Ormuz”. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, condenou o ataque a Bandar Abbas e declarou que o Irã “tomará todas as medidas necessárias para defender sua soberania nacional”.
Baghaei também expressou solidariedade a Omã diante das “ameaças de autoridades americanas”, referindo-se às declarações do presidente Donald Trump de destruir o país caso não se “comporte como todos os outros” em relação ao controle do Estreito de Ormuz. O porta-voz repudiou a “retórica ameaçadora” de Washington, classificando as falas de Trump como “um sinal preocupante da normalização da anarquia e da intimidação nas relações internacionais”.
Líder supremo iraniano acusa EUA e Israel de desestabilização
O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, emitiu um comunicado acusando os EUA e Israel de tentarem desestabilizar o Irã. Ele afirmou que o objetivo do inimigo, após a guerra, pressão econômica e cerco político, é criar divisões para compensar derrotas militares e subjugar a nação. Khamenei não aparece em público desde antes de assumir o cargo, que era de seu pai, em março.
Trump reforça pressão e discute controle do Estreito de Ormuz
O presidente dos EUA, Donald Trump, descartou anteriormente relatos da mídia estatal iraniana sobre um acordo conjunto entre Irã e Omã para administrar a navegação em Ormuz, afirmando que a via marítima permanecerá aberta. Trump reiterou suas ameaças ao regime iraniano, indicando que, se um acordo não for alcançado, os EUA “terminarão o trabalho”.
As negociações entre os dois países permanecem estagnadas, com o controle do Estreito de Ormuz – por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás antes da guerra – e o programa nuclear iraniano sendo pontos de atrito. Trump declarou que a intenção é que um possível acordo abra o estreito imediatamente, sem o controle de um país específico, enfatizando que são águas internacionais.
Na semana passada, o Irã anunciou a definição dos limites da área de supervisão de gestão do Estreito de Ormuz, indicando que a passagem exigiria permissão, o que contraria os alertas de Washington contra cobranças para atravessar a importante via marítima internacional.





