Fundo de Trump para Gaza Vazio: US$ 17 Bilhões Prometidos, Zero Doações Recebidas em Meio a Impasses Jurídicos e Políticos
O fundo oficial criado pelo Conselho da Paz de Donald Trump, destinado à reconstrução da Faixa de Gaza, encontra-se completamente vazio. Apesar de promessas de financiamento que somam impressionantes US$ 17 bilhões, nenhuma quantia foi efetivamente recebida por doadores. A situação expõe um complexo emaranhado jurídico e político que tem impedido o avanço de projetos essenciais na região devastada pela guerra.
Lançado em janeiro com pompa, o conselho foi descrito pelo ex-presidente Trump como uma das organizações internacionais “mais importantes” já criadas. Líderes mundiais prometeram US$ 7 bilhões para o “pacote de ajuda” de Gaza, e Trump se comprometeu a destinar mais US$ 10 bilhões em financiamento americano. Contudo, quatro meses após sua criação, o fundo financeiro estabelecido em parceria com o Banco Mundial não viu nenhum dólar ser depositado.
Apesar de o Banco Mundial ter sido designado para gerenciar o fundo, o conselho optou por receber doações diretamente através de sua conta no banco JPMorgan. Essa escolha levanta preocupações sobre transparência, uma vez que o mecanismo do Banco Mundial prevê prestação de contas a contribuintes e membros do conselho, algo que não se aplica à conta privada. As informações são de acordo com o Financial Times.
Mecanismos de Financiamento Alternativos e Falta de Transparência
Um porta-voz do Conselho da Paz confirmou ao Financial Times que “várias opções foram estabelecidas para receber financiamento”, incluindo o mecanismo do Banco Mundial, mas que “neste momento, os contribuintes optaram por usar outras opções”. A organização afirmou que reportará suas finanças ao seu próprio conselho executivo, composto por assessores do governo Trump, “no momento considerado apropriado”.
Contribuições Diretas e Projetos Congelados
Enquanto o fundo principal permanece zerado, contribuições de cerca de US$ 3 milhões de Marrocos e US$ 20 milhões dos Emirados Árabes Unidos foram utilizadas para financiar o escritório de Nickolay Mladenov, o “alto representante” para Gaza no pós-guerra, e o comitê tecnocrático palestino formado para governar a região. Os Emirados Árabes Unidos também prometeram US$ 100 milhões para treinar uma nova força policial em Gaza, mas esses fundos estão congelados e o programa ainda não iniciou.
Dúvidas sobre o Uso de Fundos Americanos e Status Jurídico
O Departamento de Estado dos EUA planeja realocar cerca de US$ 1,2 bilhão em gastos com ajuda para projetos alinhados à agenda do conselho, mas esses fundos ainda não foram desembolsados. Um assessor sênior do Congresso declarou que “nada desse dinheiro foi para o conselho” e que o Departamento de Estado não tem intenção de que parte dele seja administrada pelo Conselho da Paz. O Departamento de Estado pretende destinar cerca de US$ 50 milhões diretamente ao conselho para operações, mas aguarda a implementação de controles financeiros e sistemas necessários para receber recursos americanos.
Legisladores americanos têm pressionado o governo Trump por mais informações sobre o conselho, suas operações e seu status jurídico. Questionamentos surgem sobre se a organização atende aos critérios legais para ser classificada como uma organização internacional elegível para receber fundos americanos. O senador democrata Schatz expressou incerteza sobre a natureza do conselho, citando descrições conflitantes, uma como “criação da ONU para gerenciar esforços de reconstrução” e outra como “uma espécie de corte real”.
Obstáculos para a Reconstrução e Falta de Progresso
Questões jurídicas adicionais foram levantadas pela forma como a resolução do Conselho de Segurança da ONU descreveu o conselho como uma “administração transitória”. A falta de clareza sobre responsabilidades e leis aplicáveis em Gaza gera um alto risco para empresas que buscam participar da reconstrução. Até o momento, nenhum progresso foi feito nos objetivos cruciais de desarmamento do Hamas, retirada das forças israelenses e reconstrução do enclave. Bishara Bahbah, empresário que negociou com o Hamas em nome do governo Trump, relatou que o comitê ainda não iniciou trabalhos em Gaza devido à “falta de financiamento que os permita executar qualquer coisa no terreno”, descrevendo a situação como “realmente desoladora”.





