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Combate Sangrento entre Dissidentes das Farc Deixa Dezenas de Mortos na Colômbia às Vésperas das Eleições Presidenciais

Pelo menos três dias de intensos combates entre grupos dissidentes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) resultaram em dezenas de mortes na zona central da Colômbia. A onda de violência eclodiu às vésperas das eleições presidenciais, marcadas para este domingo, 31 de julho, e que têm a insegurança como um dos temas centrais do debate político.

O número exato de vítimas ainda é incerto, com relatos divergentes na imprensa local e agências internacionais. O jornal El Colombiano aponta para cerca de 50 mortos, enquanto a agência AFP, citando um prefeito da região, menciona 48 rebeldes falecidos. A situação é descrita como caótica, com corpos ainda aguardando remoção em áreas de difícil acesso.

Este confronto brutal entre facções dissidentes das Farc, que começou na última segunda-feira (25), intensifica a preocupação com a ordem pública no país. As autoridades e cidadãos locais relatam um cenário sombrio, onde a disputa por controle territorial e atividades ilícitas, como garimpo e narcotráfico, tem levado a confrontos sangrentos.

Guaviare, epicentro da violência, vive clima de incerteza

O departamento de Guaviare, na Amazônia colombiana, tem sido um dos mais afetados pela disputa entre grupos dissidentes das Farc. Esta região, historicamente um reduto da guerrilha que assinou um acordo de paz em 2016, é palco de constantes conflitos. A presença de minas terrestres, instaladas pelos dissidentes para controlar rotas de narcotráfico e áreas de garimpo, agrava ainda mais a situação de perigo.

Willy Rodríguez, prefeito de San José del Guaviare, descreveu o cenário como desolador, com corpos amontoados em locais de difícil acesso. Relatos de moradores indicam que as autoridades ainda não conseguiram chegar plenamente à área, e equipes de resgate aguardavam autorização dos grupos armados para a remoção dos corpos, segundo a AFP. A continuidade dos combates ainda é uma incógnita.

Disputa entre facções dissidentes e o fracasso da paz

O confronto mais recente antagonizou as facções Estado-Maior Central, liderada por Iván Mordisco, considerado o criminoso mais procurado do país, e o grupo Isaías Carvajal, ligado a Jorge Suárez Briceño, conhecido como “Calarcá”. Estes grupos, que foram aliados até 2023, romperam laços devido a divergências sobre o processo de paz promovido pelo governo de Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da Colômbia.

O governo Petro tem enfrentado sérios desafios na manutenção da ordem pública. O número de sequestros, por exemplo, mais que dobrou em 2023 em comparação com 2024, evidenciando a fragilidade da segurança no país. O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, afirmou que as disputas entre as facções de Mordisco e Calarcá são motivadas por conflitos relacionados ao tráfico de drogas, extorsão e outras atividades ilegais.

Menores de idade possivelmente envolvidos nos confrontos

O ministro da Defesa também expressou preocupação com a possível participação de menores de idade nos combates. Ele ressaltou que esses eventos “demonstram, mais uma vez, o desprezo que esses grupos têm pela vida humana desde muito jovens e confirmam que continuam a cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade”.

Unidades militares foram mobilizadas para a área, mas as condições climáticas dificultaram o avanço aéreo das tropas, que seguem por terra. A situação em Guaviare e o aumento da violência em outras regiões do país reforçam a urgência em abordar a questão da segurança nacional, especialmente em um momento tão crucial para o futuro político da Colômbia.

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