Hungria libera tradicional marcha do orgulho LGBTQIA+ em Budapeste, um alívio para ativistas
A polícia da Hungria anunciou que não proibirá a tradicional marcha do orgulho LGBTQIA+ em Budapeste, que acontecerá em junho. Esta decisão marca uma **diferença significativa** em relação ao ano anterior, quando o evento foi vetado pelo governo do então primeiro-ministro nacionalista Viktor Orbán.
A mudança de postura ocorre após a derrota de Orbán nas urnas em abril, que encerrou seu governo de 16 anos. O novo líder, o conservador pró-europeu Péter Magyar, prometeu uma “nova era” para a Hungria, com um governo “para todos”.
A permissão para a marcha do orgulho LGBTQIA+ em Budapeste foi notificada formalmente pelos organizadores na quarta-feira, e a polícia tinha 48 horas para decidir. A decisão de autorizar o evento, divulgada pela polícia à agência AFP, indica que “não surgiram motivos para proibir o evento”. Contudo, medidas restritivas foram impostas a três contramanifestações previstas. A informação sobre a liberação da marcha foi divulgada pela polícia húngara.
Mudança de cenário político e direitos LGBTQIA+
Viktor Orbán, conhecido por sua postura antiliberal, foi por muitos anos um crítico ferrenho da imigração e dos direitos da comunidade LGBTQIA+. Sua oposição a esses temas foi uma marca de seu governo. A eleição de Péter Magyar representa uma guinada na política húngara, com a promessa de um governo mais inclusivo.
Apesar da promessa de uma “nova era”, o novo primeiro-ministro Péter Magyar ainda não se posicionou publicamente sobre a marcha do orgulho LGBTQIA+ nem sobre a revogação de leis aprovadas durante o governo Orbán que restringem os direitos da comunidade. A expectativa é que novas diretrizes e políticas sejam anunciadas em breve.
A Marcha do Orgulho e a resistência popular
No ano passado, mesmo com a proibição oficial, a marcha do orgulho em Budapeste reuniu um número recorde de mais de 200 mil pessoas, segundo os organizadores. Este grande comparecimento foi interpretado como um ato de rejeição à repressão aos direitos LGBTQIA+ promovida pelo governo anterior, que utilizava a “proteção da infância” como justificativa.
A decisão de Orbán de proibir eventos que promovessem a “homossexualidade e a mudança de sexo” entre menores, baseada em uma lei de 2021 modificada no ano passado, foi considerada uma violação das normas do bloco pelo Tribunal de Justiça da União Europeia no mês passado. A legislação em questão, segundo o tribunal, infringia as regras do bloco sobre liberdade de reunião.
Próximos passos e o futuro da comunidade LGBTQIA+ na Hungria
A autorização da marcha do orgulho LGBTQIA+ em 2024 é vista como um sinal positivo para a comunidade e para os defensores dos direitos humanos na Hungria. A participação esperada e a repercussão do evento podem influenciar as futuras políticas do governo de Péter Magyar.
A comunidade LGBTQIA+ e seus aliados aguardam com expectativa os próximos passos do novo governo, na esperança de que as promessas de uma “nova era” se traduzam em mais inclusão e respeito aos direitos de todos os cidadãos húngaros.





