Lilia Cabral traduz a alma de Rita Lee em ‘Balada da Louca’, uma emocionante jornada sobre o adeus.
A atriz Lilia Cabral mergulha na essência de Rita Lee em Rita Lee – Balada da Louca, peça teatral que estreou no Teatro Faap, em São Paulo. O espetáculo, que fica em cartaz até 9 de agosto, é uma adaptação do livro Outra Autobiografia, obra póstuma da cantora.
Com uma performance que transita entre a leveza e a profundidade, Cabral dá voz às reflexões da icônica artista sobre a vida e a iminência da partida. A peça não é um musical, mas um monólogo pontuado por canções que marcaram a carreira de Rita Lee, permitindo ao público reviver seus sucessos e sua filosofia de vida.
A adaptação teatral, idealizada por Guilherme Samora, busca capturar a mordacidade e a sagacidade de Rita Lee, ao mesmo tempo em que suaviza a narrativa da progressiva decadência física relatada no livro. A montagem, dirigida por Beatriz Barros, opta por uma abordagem sensível, que evita o sentimentalismo e foca na humanidade da artista. Conforme informação divulgada, Rita Lee – Balada da Louca é uma peça sobre como é ser humano em horas de partida.
A força da leveza em face da dor
Rita Lee recebeu o diagnóstico de câncer no pulmão em abril de 2021, aos 73 anos. Durante os dois anos seguintes, a artista, com sua característica verve, escreveu Outra Autobiografia, detalhando sua luta contra a doença. A obra, lançada postumamente em maio de 2023, tornou-se a base para o espetáculo teatral protagonizado por Lilia Cabral.
No palco, Lilia Cabral, que é paulistana como Rita Lee, personifica a cantora com uma naturalidade impressionante. A atriz transita com maestria entre o riso e o choro, transmitindo a serenidade e a força interior de Rita Lee. A direção de Beatriz Barros utiliza simbolismos, como o acordeom, para evocar o movimento de respirar, reforçando a temática da finitude e da resiliência.
Um diálogo entre artista e intérprete
A peça começa com Lilia Cabral interpretando o sucesso Nem luxo nem lixo, acompanhada pelo piano de Roberto de Carvalho em off. A escolha musical já sinaliza o tom do espetáculo, que celebra a vida e a obra de Rita Lee, mesmo diante da adversidade. A direção musical de Dani Nega complementa a atmosfera da montagem.
Um dos momentos singulares da peça ocorre quando Lilia Cabral, brevemente, sai da personagem para expressar sua admiração por Rita Lee desde a adolescência. Esse depoimento confessional humaniza ainda mais o espetáculo, criando uma conexão íntima entre a atriz e a plateia. A atriz retorna logo em seguida à persona de Rita Lee, mantendo a energia positiva e cativante da apresentação.
A celebração da vida e a esperança no adeus
Com duração de 70 minutos, Rita Lee – Balada da Louca é um espetáculo que cativa pela sua graciosidade e pela mensagem de esperança. A peça culmina com a música Dias melhores virão, um hino de otimismo que ecoa a filosofia de Rita Lee de que, mesmo após as dificuldades, a vida sempre oferece novas oportunidades.
Lilia Cabral, consagrada atriz brasileira, entrega uma performance memorável que justifica o ingresso. A peça, que complementa o musical biográfico estrelado por Mel Lisboa, é uma homenagem à **Rainha do Rock Brasileiro**, celebrando sua coragem, sua arte e sua inabalável vontade de viver, mesmo nos momentos mais difíceis. É, em essência, uma reflexão sobre a **condição humana** e a **arte de se despedir** com dignidade e leveza.





