A tradicional festa junina escolar se reinventa com as coreografias do momento, gerando debates sobre a preservação cultural e a adaptação aos novos tempos.
O período junino nas escolas brasileiras é um momento aguardado, marcado pelo contato com as tradições de São João. Quem não se lembra das clássicas apresentações com chapéuzinho de palha e músicas como “Clima de Rodeio”?
Contudo, nos últimos anos, as festas juninas escolares têm passado por transformações visíveis. Vídeos que viralizam nas redes sociais mostram alunos incorporando novos passinhos e ritmos em suas apresentações, mesmo com os trajes típicos.
Essa fusão entre o tradicional e o moderno divide opiniões, mas encontra adeptos entre pais e educadores, que buscam um equilíbrio entre a cultura junina e os interesses da nova geração. Conforme informação divulgada pelo g1, essa adaptação tem gerado discussões calorosas sobre os rumos da festividade.
Do Brega Funk aos remixes: a nova cara das quadrilhas escolares
Em diversas regiões do país, estudantes têm misturado os tradicionais passos de quadrilha com coreografias inspiradas em dancinhas de TikTok e sucessos do brega funk, como o passinho do Jamal. As músicas juninas também ganham novas versões, com remixes que incluem batidas de funk e phonk.
Um exemplo disso ocorreu em Itumbiara, Goiás, onde a apresentação de uma turma do 5º ano misturou o phonk “Brasil com S” com um forró remixado de “Sou Brasileiro” e o hit “6’7”. A mãe de uma das alunas, Joice Cristina Pacheco Silva, de 28 anos, aprovou a iniciativa, afirmando ao g1: “É a dança do momento deles. A gente tem que se adaptar porque, querendo ou não, com o passar dos anos as coisas vão mudando.”.
Tradição em pauta: escolas que optam pelo caminho clássico
Em contrapartida, algumas instituições de ensino optam por manter a essência tradicional das festas juninas. Em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, uma escola cristã optou por seguir a cartilha clássica, mesmo com o pedido dos alunos para incluir os passos do brega funk. A playlist contou com clássicos como “Riacho do Navio” e “No Lume da Fogueira”.
Outro colégio particular em Pernambuco também seguiu a linha tradicional, com uma coreografia que homenageou Luiz Gonzaga e abordou a importância da água no sertão. A diretora Paula Leão explicou a escolha pedagógica: “Escutamos as demandas dos alunos, sim, mas sem fugir da nossa história.”.
Otimismo com a fusão de ritmos
Para o cantor e compositor Almérrio, a fusão de ritmos não representa uma ameaça à tradição junina. Ele acredita que o forró, em suas diversas vertentes, vive um momento de expansão, impulsionado inclusive por novos gêneros como o piseiro.
“O forró como um todo, com ou sem essas novas ferramentas, tem ganhado mais força e espaço tanto no Brasil quanto internacionalmente. O envolvimento dos jovens nessas trends é a prova disso”, declarou Almérrio, mostrando otimismo com a adaptação das tradições juninas aos novos tempos e à cultura jovem.





