Mercado Imobiliário Brasileiro: Confiança em Alta Recorde Convive com Obstáculos na Jornada de Compra
A confiança no mercado imobiliário brasileiro atingiu um novo recorde, segundo a mais recente pesquisa da Loft em parceria com a Offerwise. O índice, que mede o equilíbrio entre oferta e demanda por imóveis, alcançou o patamar de 5 pontos, empatando com a Onda 3 como o valor mais alto desde o início da aplicação da metodologia atual. Isso indica uma demanda superior à oferta disponível.
Apesar desse otimismo, a realidade para quem deseja comprar um imóvel ainda é marcada por desafios significativos. A pesquisa, que abrangeu o período de 17 de abril a 8 de maio de 2026, aponta que a maioria dos consumidores ainda enfrenta barreiras consideráveis para concretizar a aquisição de um imóvel, mesmo com a percepção de um mercado aquecido.
O cenário econômico de incerteza, com expectativas de inflação e pessimismo geral, continua a influenciar o comportamento do consumidor. Contudo, o setor imobiliário parece trilhar um caminho próprio, com sinais de confiança elevados que contrastam com as dificuldades práticas enfrentadas na hora de fechar um negócio. Conforme informação divulgada pela Loft e Offerwise, é esse paradoxo que a pesquisa Índice de Confiança do Mercado Imobiliário busca explicar.
Confiança em Alta, Mas Compra Travada
O índice de confiança, que varia de -7 a +7, atingiu 5 pontos na Onda 6, sinalizando uma demanda aquecida. Dos entrevistados, 22% são proprietários e 16% possuem imóveis para alugar ou vender. Além disso, 21% pretendem comprar ou alugar um imóvel nos próximos meses, sendo que 4% buscam um aluguel e 3% desejam comprar uma propriedade.
No entanto, a jornada de compra se mostra árdua. Cerca de 93% dos compradores relatam alguma dificuldade no processo, e 31% já desistiram de comprar um imóvel em algum momento. Os principais obstáculos estão diretamente ligados às finanças:
As dificuldades mais citadas incluem dívidas ou compromissos financeiros (24%), preços dos imóveis muito altos em relação ao orçamento (24%), dificuldade em juntar o valor da entrada (22%), taxas de juros altas no financiamento imobiliário (22%) e renda insuficiente para aprovação no financiamento (21%). Para aqueles que desistiram de uma compra, os motivos predominantes foram os juros elevados do financiamento (21%) e parcelas mais altas do que o esperado (14%).
O ‘Gap’ Entre Compradores e Vendedores Recorde
Um dos fatores que explica essa dificuldade é o crescente descompasso entre o valor pedido pelos vendedores e o que os compradores estão dispostos a pagar. Na Onda 6, essa diferença alcançou o maior patamar desde o início do estudo, especialmente para imóveis de até R$ 350 mil. Nesse segmento, 34% dos vendedores pedem até R$ 350 mil, enquanto apenas 49% dos compradores buscam nesta faixa, gerando um gap de 15 pontos percentuais, o maior já registrado.
A faixa de imóveis entre R$ 801 mil e R$ 2 milhões também apresentou um aumento significativo no ‘gap’, avançando 9 pontos percentuais em relação à onda anterior, o que também é um recorde. Fábiio Takahashi, gerente de dados da Loft, explica que “o cruzamento de dados mostra que a confiança no setor não elimina o atrito da negociação. Vendedores ainda não ajustaram totalmente a expectativa de preço à realidade do crédito mais caro, e é esse descompasso que explica boa parte das desistências”.
Quem Compra e Por Quê
A maioria dos que pretendem comprar um imóvel o fazem com o objetivo de moradia (70%), e não como investimento. Para 54% deles, é a primeira aquisição. O valor médio que compradores de moradia gostariam de pagar é de R$ 559.882,94. Os principais motivadores para a compra são deixar de pagar aluguel e construir patrimônio, que na Onda 6 apareceram tecnicamente empatados com 32% cada.
Já para os que compram como investimento (26% do total), o foco é diversificar ativos e buscar segurança financeira. A pesquisa também indica que sites e aplicativos de imobiliárias continuam sendo o principal canal de pesquisa, utilizados por mais da metade dos compradores (56%). As redes sociais, como Instagram e Facebook, funcionam mais como vitrine, com baixa confiança para negociação direta.
Locação: Cautela e Expectativa de Preços Menores
No mercado de locação, observa-se uma tendência semelhante de cautela. A parcela de inquilinos que espera pagar menos do que paga atualmente cresceu, chegando a 49% na Onda 6, um aumento de 9 pontos percentuais em relação à onda anterior. Apenas 18% aceitariam pagar o mesmo valor.
Esse movimento também ampliou o ‘gap’ entre o que locadores pedem e o que locatários topam pagar, especialmente na faixa de aluguéis entre R$ 1.000 e R$ 2.000 mensais, onde a diferença atingiu 23 pontos percentuais. A pesquisa quantitativa online foi realizada pela Offerwise, encomendada pela Loft, com 1.403 respondentes entre 17 de abril e 8 de maio de 2026.





