Pesquisadores brasileiros recrutam voluntários para testes da primeira polipílula nacional contra AVC e doenças cardiovasculares. O objetivo é reunir 8,5 mil participantes para um acompanhamento de três a quatro anos, buscando comprovar a eficácia do tratamento.
A iniciativa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em Porto Alegre, com parceria do Ministério da Saúde através do Proadi-SUS, representa um avanço significativo na prevenção de acidentes vasculares cerebrais (AVC) e outras enfermidades cardiovasculares.
A polipílula em teste combina rosuvastatina (para colesterol), valsartana e anlodipina (para pressão alta) em uma única dose, facilitando a adesão ao tratamento. A primeira fase de testes em humanos, com 370 participantes, já demonstrou resultados promissores.
A coordenação do estudo é da neurologista Sheila Martins, que destaca a importância da participação popular para a robustez das evidências. “Quanto maior o número de participantes, mais robustas serão as evidências geradas e maior o potencial de orientar futuras políticas públicas de prevenção”, afirmou à Agência Brasil.
Critérios para Participação e Abrangência Nacional
Para participar da pesquisa, os voluntários devem ter entre 50 e 75 anos, nunca ter sofrido AVC ou infarto, e não utilizar medicamentos para colesterol, hipertensão ou diabetes. A participação é gratuita e inclui acompanhamento médico especializado e periódico.
O recrutamento está ocorrendo em 14 centros de AVC distribuídos por diversos estados brasileiros, incluindo São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco e Acre. Novos centros estão sendo adicionados para ampliar o alcance da pesquisa.
Metodologia do Estudo e Ferramentas de Empoderamento
Os participantes serão divididos aleatoriamente em dois grupos: um receberá a polipílula e o outro, um placebo. Ao longo de três anos, serão avaliados os efeitos na redução do risco de AVC, demência e problemas de memória. Desfechos secundários incluirão a diminuição do risco de infarto, insuficiência cardíaca e morte por doenças circulatórias.
Um diferencial do projeto é o aplicativo Riscômetro, que permite ao participante calcular seu risco cardiovascular e monitorar a redução. A ferramenta tem se mostrado eficaz em motivar mudanças de estilo de vida, como aumento da atividade física e cessação do tabagismo, contribuindo para a prevenção.
AVC: Um Desafio de Saúde Pública e o Potencial da Nova Polipílula
O AVC é a principal causa de morte e incapacidade no Brasil. Dados do Portal da Transparência do Registro Civil indicam que 89.490 brasileiros faleceram em decorrência da doença no último ano. Globalmente, a Organização Mundial do AVC projeta um aumento de 50% nas mortes até 2050.
A neurologista Sheila Martins ressalta que 90% dos casos de AVC poderiam ser prevenidos com o controle dos fatores de risco, sendo a hipertensão o principal. A pressão alta começa a aumentar o risco a partir de 115 mmHg (sistólica) e 75 mmHg (diastólica).
A nova polipílula visa atuar em pessoas com pressão máxima de até 139 mmHg e mínima de 121 mmHg, com 50 a 75 anos e pelo menos um fator de risco modificável. Essa população, que representa 85% dos casos de AVC no mundo, tem um enorme potencial de prevenção.
Os resultados preliminares indicam que a polipílula pode reduzir a pressão arterial em 12 mmHg e o colesterol em 40 miligramas por decilitro, quedas consideradas significativas. A expectativa é que, em breve, a medicação possa estar disponível no SUS, simplificando o tratamento para milhões de brasileiros.
Um Grande Desafio para a Saúde Pública
A pesquisa, com sua dimensão de 8.500 participantes em todo o país, representa um grande desafio logístico e científico. No entanto, a fase piloto já demonstrou que a polipílula é segura, bem tolerada e eficaz na redução da pressão arterial.
O objetivo agora é confirmar a redução de AVC, demência e doenças circulatórias. A expectativa é que este estudo transforme as políticas públicas de prevenção no Brasil e no mundo, oferecendo uma ferramenta mais acessível e eficiente no combate a essas doenças.
Para mais informações sobre como participar, os interessados podem entrar em contato pelo telefone ou WhatsApp (51) 99935-6911.




