Brasileiros em Camboja são forçados a aplicar golpes da Polícia Federal e sofrem tortura
Um drama sombrio se desenrola no Sudeste Asiático, onde brasileiros, seduzidos por promessas de trabalho e riqueza, acabam se tornando peças em uma complexa rede criminosa internacional. No Camboja, especificamente, vítimas de tráfico humano são coagidas a aplicar golpes digitais, simulando ser de órgãos públicos brasileiros, como a Polícia Federal, para extorquir dinheiro de outros cidadãos.
Pedro Alencar, de 25 anos, que prefere ser identificado pelo apelido usado em complexos criminosos, é um dos relatos que expõem a brutal realidade. Após ser traficado para o Laos e Filipinas, ele foi levado ao Camboja para aplicar o que descreveu como “o golpe mais pesado”. A promessa de altos salários se transformou em um pesadelo de trabalho forçado e ameaças constantes.
A estrutura montada para os golpes é assustadoramente realista. Criminosos criam cenários que imitam salas da Polícia Federal, com direito a slogans, bandeiras, distintivos e até fardas e ternos, tudo para dar credibilidade à farsa. O objetivo é convencer as vítimas de que estão envolvidas em crimes graves, como falsidade ideológica e estelionato, e que a única forma de evitar consequências legais é realizar transferências bancárias.
O roteiro do golpe: intimidação e falsidade
Os criminosos utilizam roteiros detalhados, que incluem orientações sobre tom de voz, expressões faciais e como lidar com as dúvidas das vítimas. O objetivo é criar um ambiente de intimidação, onde a vítima se sente pressionada a cooperar. Frases como “Você tem de arcar com as consequências legais por cada crime que foi cometido usando sua identidade” são usadas para assustar.
Para evitar o reconhecimento, os golpistas fornecem tecnologias como emuladores de voz e filtros faciais. Além disso, são orientados a pesquisar nomes de delegados reais para conferir veracidade às ameaças. A simulação é tão elaborada que envolve o envio de fotos de falsos mandados de prisão e autorizações de bloqueio de bens, culminando na solicitação de transferências bancárias sob o pretexto de





