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Suprema Corte dos EUA Permite Restrição ao Voto por Correio em Decisão Dividida que Afeta Eleições de Meio de Mandato

Suprema Corte Permite Governo Trump Restringir Voto por Correio Antes de Eleições Cruciais

A Suprema Corte dos Estados Unidos tomou uma decisão significativa, permitindo que o governo de Donald Trump prossiga com seus planos de impor restrições ao voto por correio. A decisão, proferida em caráter de emergência e com placar dividido entre os ministros, autoriza o Serviço Postal dos EUA a auxiliar na definição de quais eleitores receberão cédulas para votação remota.

O decreto em questão, assinado por Trump em março, visa criar listas de cidadãos americanos com 18 anos ou mais para monitorar os cadastros eleitorais e identificar potenciais eleitores não cidadãos. O Departamento de Segurança Interna (DHS) estaria encarregado de compilar essas listas, que, segundo o governo, seriam usadas para garantir a integridade do processo eleitoral.

A determinação da Corte permite que o governo avance na implementação dessas regras, mesmo enquanto a legalidade da medida ainda é debatida em instâncias judiciais inferiores. A decisão, que não foi assinada, baseou-se no argumento de que o governo Trump poderia sofrer “danos irreparáveis” caso o bloqueio imposto por tribunais inferiores fosse mantido. Conforme informação divulgada pelo The New York Times, os três ministros progressistas divergiram da maioria, com a ministra Ketanji Brown Jackson alertando para o potencial “caos e incerteza” nas próximas eleições.

Decisão Preliminar e Impacto nas Eleições de Meio de Mandato

A decisão da Suprema Corte é considerada preliminar e não representa um julgamento definitivo sobre a legalidade do decreto. A maioria dos ministros entendeu que os estados que contestaram a ordem presidencial não demonstraram um prejuízo suficiente com regras eleitorais que ainda não entraram em vigor. “Quanto a isso, o tempo dirá”, afirmou a maioria na decisão de dez páginas, indicando a possibilidade de o caso retornar à Corte em breve.

Apesar da permissão para avançar com o planejamento, ainda não está claro se as novas regras estarão efetivamente em vigor para as eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, com votação antecipada começando em breve em muitos estados. A disputa judicial se intensifica a poucos meses do pleito, que definirá o controle das duas casas do Congresso.

Contestações Legais e Argumentos Contra o Decreto

O decreto presidencial enfrentou diversas contestações legais, incluindo uma ação movida por procuradores-gerais estaduais democratas em Massachusetts. Eles argumentaram que o presidente excedeu sua autoridade constitucional, pois a Constituição dos EUA confere ao Congresso e aos estados o poder sobre as eleições, e não ao Poder Executivo. A juíza Indira Talwani, de um tribunal federal em Massachusetts, havia bloqueado temporariamente o decreto, citando violação da separação de poderes e a falta de delegação de autoridade ao Serviço Postal.

Em decisões anteriores, Talwani também destacou que o governo Trump não apresentou “provas de voto à distância ilegal ou fraudulento” para justificar as restrições ao voto por correio. Um tribunal federal de apelações manteve o bloqueio temporário, levando o governo a recorrer à Suprema Corte.

Preocupações com Caos e Acesso ao Voto

Os procuradores-gerais democratas alertaram que a implementação do decreto poderia resultar em um programa “sem precedentes e juridicamente indefensável” de verificação de eleitores e interceptação de cédulas. Eles temem que a medida confira novos e amplos poderes ao Serviço Postal, além de gerar confusão entre os eleitores e privá-los do direito de votar, especialmente devido à possibilidade de erros na elaboração das listas de cidadãos e ao pouco tempo para contestações.

A decisão da Suprema Corte, neste momento crucial antes das eleições, levanta sérias questões sobre a segurança e a acessibilidade do voto por correio nos Estados Unidos, um tema central no debate político e eleitoral do país.

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