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Funerais Sem Corpos no Nepal: Famílias Prestam Homenagem a Vítimas de Avalanche Devastadora no Himalaia

Famílias Realizam Ritos Fúnebres Sem Corpos no Nepal Após Devastadora Avalanche no Himalaia

Em meio à dor e à incerteza, famílias no Nepal realizaram nesta quarta-feira (2) cerimônias fúnebres simbólicas para parentes ainda desaparecidos após a avalanche de lama e detritos que devastou vilarejos no Himalaia há uma semana. A tragédia, ocorrida em 26 de agosto, deixou um rastro de destruição e um número crescente de mortos e desaparecidos.

Apesar dos dias de busca intensa em abrigos e necrotérios, muitos corpos permanecem submersos pelos escombros. Diante da impossibilidade de realizar os ritos tradicionais, os familiares optaram por despedidas simbólicas, como a queima de efígies de palha, em uma tentativa de honrar e dar paz às almas de seus entes queridos.

Conforme informações divulgadas por autoridades, a avalanche, causada pelo colapso de uma geleira, atingiu áreas do Nepal e da China, resultando em ao menos 1.204 mortos e 4.216 desaparecidos. As buscas por sobreviventes, no entanto, continuam, com esperança focada em túneis de centrais hidrelétricas atingidas pela enxurrada, onde acredita-se que alguns possam ter encontrado refúgio.

Esperança em Meio aos Escombros: Busca por Sobreviventes em Túneis Hidrelétricos

A usina hidrelétrica de Rasuwagadhi, localizada a cerca de 5 km da fronteira com a China, tornou-se um dos principais focos das equipes de resgate. Autoridades da Autoridade de Eletricidade do Nepal indicam que 46 pessoas poderiam estar presas em um túnel. “Estamos muito confiantes de que devem estar vivas depois de uma semana porque têm comida e água”, afirmou Amhsu Kiran Shahi à agência Reuters, demonstrando otimismo.

Até o momento, socorristas recuperaram corpos em túneis bloqueados pela lama, mas os trabalhos de escavação e remoção de toneladas de escombros persistem na tentativa de alcançar possíveis sobreviventes. Um total de 279 pessoas já foram resgatadas de projetos hidrelétricos afetados pela inundação.

O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, ecoou a esperança, declarando: “Milagres acontecem. No momento, não quero perder completamente a esperança.” A colaboração internacional, com especialistas da Índia, China, Coreia do Sul e Austrália, intensifica os esforços de resgate.

Mudanças Climáticas e a Escalada de Riscos no Himalaia

A dimensão da destruição gerou indignação no Nepal, um país rural com recursos limitados para lidar com catástrofes de tal magnitude. O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, classificou a tragédia como um “sinal sério de que os riscos na região do Himalaia estão aumentando na mesma proporção das mudanças climáticas.”

Cientistas alertam que o Himalaia, a maior cordilheira do mundo, está aquecendo rapidamente devido ao aumento das temperaturas globais, acelerando o derretimento das geleiras. “As mudanças climáticas são um problema global e a resposta aos desastres também é uma responsabilidade global”, ressaltou Shah nas redes sociais.

Desafios Políticos e Econômicos Agravam a Crise no Nepal

A catástrofe ocorre em um contexto de dificuldades políticas e econômicas no Nepal, que completa um ano de protestos contra a corrupção e uma economia debilitada. Com os necrotérios lotados, autoridades iniciaram o enterro de centenas de corpos não identificados após exames de DNA.

Entre os desaparecidos, mais de 800 são estrangeiros de mais de 30 países, incluindo turistas e peregrinos. Pelo menos 17 corpos encontrados em rios na Índia também podem ser vítimas da avalanche, segundo suspeitas das autoridades.

Escala Monumental da Destruição e Restrições na China

Uma estimativa preliminar da ONU aponta que o desastre gerou pelo menos 2,2 milhões de toneladas de detritos, o equivalente ao peso de seis edifícios Empire State. Na China, jornalistas estrangeiros enfrentam restrições para cobrir a situação no Tibete, com o governo controlando rigorosamente o acesso à informação, o que gerou questionamentos de grupos de defesa do Tibete no exílio.

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