Péricles no Rock in Rio 2026: Uma Homenagem às Raízes Negras e ao Pagode 90
Uma das atrações mais esperadas do Rock in Rio 2026, o show “Péricles canta Motown”, que acontecerá no palco Sunset em 7 de setembro, é mais do que uma apresentação musical. Ele representa uma celebração profunda de uma das maiores referências para os artistas de pagode que ganharam destaque a partir dos anos 1990. A escolha de interpretar clássicos da Motown por Péricles não é aleatória, mas sim um elo direto com as influências que moldaram o gênero.
Embora o samba seja a base inegável do pagode dos anos 90, é crucial reconhecer a forte influência da música negra norte-americana, especialmente o soul e o R&B. Essa conexão foi apontada por diversos entrevistados na série documental “Anos 90 – A explosão do pagode”, evidenciando como os bailes promovidos pela equipe da Chic Show em São Paulo, a partir dos anos 1970, foram fundamentais na formação musical de muitos pagodeiros.
Portanto, quando Péricles entoar canções de gigantes como Stevie Wonder e Smokey Robinson, ele estará, de fato, conectando os pontos e celebrando uma das fontes primordiais do pagode 90. Este movimento musical transcendeu a música, tornando-se também um importante pilar para a afirmação da identidade negra no Brasil, abrindo portas e inspirando gerações.
A Motown e o Som que Moldou o Pagode Brasileiro
A gravadora Motown, fundada em 1959, revolucionou a indústria musical mundial, e sua influência ecoou por todos os cantos, chegando aos ouvidos de artistas brasileiros como Péricles. A série documental “Anos 90 – A explosão do pagode” destaca como a música negra norte-americana, incluindo o soul e o R&B, foi essencial para o desenvolvimento do pagode.
Essa influência pode ser percebida no fraseado vocal de muitos cantores de pagode. O estilo de Belo, por exemplo, marcou época e serviu de inspiração para artistas posteriores, como Thiaguinho, demonstrando o alcance e a durabilidade dessas referências musicais.
Péricles: Celebrando um Legado Musical e Social
Péricles tem ressaltado em suas entrevistas, conforme divulgado, que a Motown mudou o mundo da música. A apresentação no Rock in Rio, idealizada por Zé Ricardo, vice-presidente artístico do festival, é uma oportunidade de Péricles homenagear não apenas os ícones da Motown, mas também a própria história do pagode 90.
Ao cantar sucessos como “My Girl”, do grupo The Temptations, Péricles reverencia a rica história da música negra americana. De certa forma, ele também celebra a trajetória de artistas brasileiros que, inspirados por esses sons, construíram um gênero musical com profunda relevância social e cultural, consolidando a identidade de uma geração.
Pagode 90: Mais que Música, um Movimento de Identidade
O estouro do pagode nos anos 1990 foi fundamental para firmar a identidade de cantores e compositores negros brasileiros. Muitos deles cresceram ouvindo soul, funk e R&B antes de encontrarem seu caminho nas rodas de samba.
A inclusão de Péricles cantando Motown no Rock in Rio é um reconhecimento dessa herança. É a prova de que as influências musicais se entrelaçam, criando um legado que continua a inspirar e a celebrar a diversidade e a força da música brasileira, com raízes fincadas na música negra internacional.




