Eurostat aponta aumento drástico de brasileiros repatriados da União Europeia em 2025, indicando endurecimento nas políticas migratórias.
Um levantamento divulgado pelo Eurostat, o instituto de estatísticas da União Europeia, acende um alerta para os brasileiros que planejam ou já residem no bloco. Os dados relativos a 2025 mostram um aumento significativo no número de cidadãos brasileiros impedidos de entrar na UE, notificados para deixar o bloco e, consequentemente, repatriados.
O Brasil figura entre as 15 nacionalidades com maior incidência em barreiras de entrada e repatriações. O número de brasileiros que tiveram que deixar a União Europeia quase dobrou em um ano, refletindo uma política de fronteiras mais restritiva e fiscalização intensificada.
Essas estatísticas, divulgadas no início de maio, sinalizam um endurecimento nas regras de imigração e um controle mais rigoroso sobre a permanência de estrangeiros nos países membros. Acompanhe os detalhes deste cenário em transformação.
Brasileiros Repatriados Quase Dobram em 2025
Os números revelados pelo Eurostat são contundentes: em 2025, o total de brasileiros repatriados para fora da União Europeia atingiu 3.050 pessoas. Este dado representa um **aumento expressivo de 94%** em comparação com o ano anterior, 2024, colocando o Brasil na 13ª posição entre cerca de 170 nacionalidades.
Este cenário de alta na repatriação de brasileiros reflete um endurecimento nas políticas migratórias da UE. O aumento expressivo indica que mais brasileiros foram identificados em situação irregular ou tiveram sua entrada negada nos portos e aeroportos europeus.
Entrada na UE Dificultada e Notificações de Saída em Alta
Além das repatriações, outros indicadores também apontam para um controle mais rígido. O número de estrangeiros impedidos de entrar na UE em suas fronteiras externas aumentou 7% em 2025, totalizando 132,6 mil pessoas. Deste total, os brasileiros ocupam a 12ª posição, com 2.910 pessoas barradas, sendo a **grande maioria (92%) em aeroportos**.
Portugal e Irlanda foram os países que mais rejeitaram a entrada de brasileiros, ambos com grandes comunidades de compatriotas, o que pode atrair outros em busca de oportunidades, mas que acabam sendo barrados pela falta de documentação adequada.
Outro índice que registrou alta foi o de notificações para deixar um país da UE devido a situação irregular, como falta de autorização de residência ou visto de trabalho. Em 2025, 6.875 brasileiros receberam esta ordem, um aumento de 57% em relação a 2024. Bélgica, França e Portugal foram os países que mais emitiram essas notificações.
Mudanças Legislativas e Efeito Escala no Aumento da Repatriação
Em Portugal, as mudanças na legislação, como a extinção da “manifestação de interesse”, que permitia a regularização de turistas sem visto, contribuíram para o aumento de brasileiros notificados a sair. Agora, vistos de trabalho ou estudo devem ser obtidos antes da viagem.
Os países que mais repatriaram brasileiros foram Bélgica, França, Portugal e Irlanda. A maioria (56%) foi repatriada voluntariamente com assistência, enquanto cerca de 30% foram deportados. Em Portugal, brasileiros representaram 74% do total de repatriados.
Pedro Góis, professor da Universidade de Coimbra, explica que os dados refletem o **aumento do rigor na aplicação das regras da UE**. “Alguns países que eram mais benevolentes estão hoje mais atuantes na obrigação do retorno de imigrantes detectados irregularmente”, afirmou.
Controle Migratório Mais Rígido e Tecnologia como Aliada
O cenário para os próximos anos indica um controle ainda mais acirrado sobre imigrantes, impulsionado por pressões políticas e pela implementação de novos sistemas, como o EES (sistema de entrada e saída), que coleta dados biométricos e torna a checagem de vistos e prazos de permanência mais precisa.
“A capacidade de vigiar individualmente e de forma integrada aumenta com a capacidade tecnológica. Haverá mais casos de notificações para saída voluntária e, se ela não acontecer, de deportações”, prevê Góis. As novas tecnologias e a legislação mais restritiva tornam a imigração irregular para a UE cada vez mais difícil.





