Adaptação da lenda urbana “Backrooms” divide opiniões com início promissor e desfecho confuso
Poucos filmes de terror recentes iniciaram de forma tão impactante quanto “Backrooms: Um não-lugar”, que chegou aos cinemas brasileiros. No entanto, a obra, que adapta uma popular lenda urbana da internet, também decepciona ao apresentar um final que muitos consideram pouco satisfatório, conforme análise divulgada pelo g1.
Apesar das críticas ao desfecho, o filme se destaca pela direção de Kane Parsons, um youtuber de apenas 20 anos, conhecido como Kane Pixels. Sua estreia em Hollywood demonstra um potencial notável no gênero, construindo uma narrativa tensa e envolvente a partir da série que ele mesmo criou na plataforma de vídeos em 2022.
A produção consegue transformar a premissa absurda e claustrofóbica das “Backrooms” em uma experiência cinematográfica instigante. O elenco conta com dois atores indicados ao Oscar, Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve, que entregam atuações sólidas, complementando a atmosfera sinistra criada por Parsons. A análise é do g1.
O fascínio e o terror do “não-lugar”
A lenda urbana das “Backrooms” nasceu em 2019, a partir de uma imagem de um corredor corporativo com papel de parede amarelo e carpete. A ideia se espalhou pela internet, criando a mitologia de um espaço extradimensional infinito, acessível por quem, acidentalmente, sai da realidade.
O filme acompanha a jornada de um dono de loja de móveis, interpretado por Chiwetel Ejiofor, que se depara com esse “não-lugar”. Sua terapeuta, vivida por Renate Reinsve, inicia uma busca desesperada por ele, mergulhando no estranho universo criado por Parsons.
O elenco enxuto, mas de peso, ajuda a manter o público conectado aos personagens, enquanto o absurdo da trama se desenrola em ambientes cada vez mais bizarros. Ejiofor, com sua atuação, equilibra fragilidade humana e uma agressividade sutil, elementos cruciais para o desconforto que o roteiro de Will Soodik busca provocar.
Direção promissora, mas um final que se perde
O verdadeiro protagonista de “Backrooms” é o próprio “não-lugar”, e a sensação de familiaridade sinistra que permeia cada cena. Kane Parsons demonstra um controle impressionante sobre a tensão do desconhecido, guiando o espectador pelos corredores labirínticos com ângulos de câmera incomuns e uma atmosfera opressora.
As atuações e a direção se unem para criar momentos memoráveis no cinema de terror recente. Contudo, o fascínio começa a diminuir quando o filme tenta explicar o fenômeno. As respostas apresentadas, embora tenham algum valor, ofuscam o mistério que era, sem dúvida, o ponto mais atraente da narrativa.
Ambição que pode ter levado ao desvio
No final, o jovem cineasta estreante parece se perder pelos corredores de sua própria ambição, ecoando, de forma quase irônica, o destino de seus personagens. Tramas paralelas, introduzidas de maneira apressada e sem a devida conclusão, criam expectativas que não se concretizam.
Esses elementos deixam um sabor amargo em uma história que, até então, abraçava com sucesso o ridículo e o suspense. A conclusão frustrante, que tenta ser inteligente e indiferente, acaba soando um pouco arrogante, comprometendo o excelente trabalho inicial, segundo a crítica do g1.
Apesar do desfecho controverso, “Backrooms: Um não-lugar” é um marco para o jovem diretor Kane Parsons, mostrando seu imenso potencial e a capacidade de adaptar lendas da internet para o cinema de horror de forma cativante e original.




