Simpósio em Fortaleza debate o potencial da cannabis medicinal com especialistas, governo e sociedade civil
A Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) se tornou palco do 2º Simpósio Cearense de Cannabis Medicinal, reunindo especialistas, pesquisadores, representantes do governo e de entidades de classe. O evento, com duração de dois dias, teve uma procura intensa, esgotando rapidamente os 300 ingressos gratuitos oferecidos. A discussão abrange desde a perspectiva de pacientes e associações até aspectos cruciais como o cultivo da planta e o amparo jurídico necessário para sua utilização terapêutica.
A programação detalhada do simpósio visa aprofundar o conhecimento sobre as diversas facetas da cannabis medicinal. Os participantes têm a oportunidade de explorar a aplicação da planta em práticas integrativas e seu uso por povos originários, como os Kaxinawá, também conhecidos como Huni Kuin. Essa abordagem multidisciplinar reflete a crescente importância e o interesse em compreender os benefícios e desafios associados à cannabis para fins terapêuticos.
O debate sobre a cannabis medicinal no Ceará ganha força com a realização deste importante simpósio. A iniciativa, que conta com o apoio de instituições renomadas como a Fiocruz Ceará e a UFC, demonstra o compromisso do estado em avançar nas discussões e na implementação de políticas voltadas para o uso terapêutico da planta. Conforme informação divulgada pela organização do evento, os 300 lugares oferecidos foram rapidamente preenchidos, evidenciando o grande interesse da população e dos profissionais da área no tema da cannabis medicinal.
Eixos de Discussão Abrangem Saúde Humana, Animal e Aspectos Regulatórios
Nesta quinta-feira, o simpósio concentrou-se em cinco eixos de discussão cruciais. Entre os temas abordados estão a presença da cannabis no SUS, detalhando os desafios legais e regulatórios enfrentados. Além disso, foram exploradas as potencialidades da cannabis medicinal em áreas como psiquiatria, tratamento da dor e distúrbios do sono, buscando entender onde a planta pode realmente fazer a diferença na vida dos pacientes. A medicina veterinária também teve seu espaço, com discussões sobre ciência, bem-estar animal e inovações no uso da cannabis para pets.
Um dos enfoques de destaque na programação é a integração da cannabis nas Farmácias Vivas e na agricultura familiar, sob o lema “Da Terra ao SUS”. Essa abordagem busca conectar a produção local com o acesso ao tratamento, promovendo a sustentabilidade e a capacitação da rede pública. Outra palestra relevante abordou as propriedades da cannabis que auxiliam na gestação, no parto e no pós-parto, destacando o papel das parteiras tradicionais no uso dessas práticas.
Audiência Pública sobre PL da Cannabis Terapêutica Fecha a Programação
A sexta-feira, dia 10, iniciou com uma roda de conversa focada em “Cannabis, Autismo e Ciência: o que já sabemos e para onde estamos caminhando?”. A discussão, que ocorreu das 10h às 12h, buscou apresentar os avanços científicos e as perspectivas futuras sobre o uso da cannabis no tratamento de pessoas com autismo, promovendo um diálogo aberto entre a comunidade científica e os interessados.
O ponto alto da programação de sexta-feira foi a audiência pública realizada a partir das 13h, no auditório Murilo Aguiar da Alece. O foco foi o Projeto de Lei 1014/2023, que visa instituir no Ceará uma política estadual de cannabis para fins terapêuticos. A proposta inclui o incentivo à pesquisa, capacitação da rede pública, apoio a associações e o acesso à cannabis medicinal pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mediante prescrição médica. A audiência pública pôde ser acompanhada ao vivo pelo canal do YouTube da Assembleia Legislativa do Ceará, ampliando o alcance das discussões.
Apoio Institucional Fortalece o Debate sobre Cannabis Medicinal no Ceará
O 2º Simpósio Cearense de Cannabis Medicinal contou com o importante apoio de diversas instituições. Entre elas, destacam-se a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Ceará, o Conselho Estadual de Saúde do Ceará (Cesau), a Universidade Federal do Ceará (UFC), o movimento Ceará Saúde Livre (CSL) e a Liamba 360º. Esse respaldo institucional demonstra a relevância do simpósio e o compromisso dessas entidades em promover o avanço do conhecimento e a discussão qualificada sobre a cannabis medicinal no estado.




