Peru enfrenta segundo dia de votação após caos eleitoral e indefinição no segundo turno
Peruanos que não conseguiram exercer seu direito ao voto no domingo (12) devido ao caos em alguns centros de votação de Lima, retornaram às urnas nesta segunda-feira (13) para eleger seu próximo presidente. A situação reflete a complexidade e a tensão que marcam a atual disputa eleitoral no país.
A trabalhadora autônoma Berta Arotoma, 35, exemplifica a persistência dos eleitores. Ela compareceu ao seu local de votação pela quarta vez em dois dias, buscando garantir seu voto mesmo com o transtorno. “Ontem vim aqui três vezes”, relatou, admitindo ter perdido horas de trabalho nesta segunda para conseguir votar.
A escola em que Berta votava, localizada no sul de Lima, foi um dos 13 pontos na capital que não receberam material eleitoral a tempo, impactando mais de 50 mil eleitores, segundo autoridades locais. A falha gerou críticas e a primeira prisão relacionada ao pleito nesta segunda: José Samamé Blas, funcionário que pediu demissão no domingo e assumiu responsabilidade pelas falhas, foi detido. Conforme informação divulgada pela mídia peruana, o órgão eleitoral, o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), tem sido alvo de críticas por eleitores e políticos após as falhas logísticas.
Candidato acusa fraude e pede prisão de chefe do órgão eleitoral
Na véspera, o candidato Rafael López Aliaga, que busca se consolidar como uma figura de extrema-direita no Peru, chegou a falar em fraude e solicitou a prisão do chefe do ONPE, Piero Corvetto. “Onde está a Procuradoria-Geral da República? Onde está a Polícia Nacional? Piero Corvetto deve ser preso imediatamente por negligência no cumprimento do dever”, declarou Aliaga, rejeitando a justificativa de problemas logísticos.
A retórica de Aliaga, comparada a um “Donald Trump latino”, tem lhe rendido popularidade. Com mais de 57% das atas apuradas, ele figurava com quase 14,2% dos votos, atrás apenas de Keiko Fujimori, com 16,9%. Esses números, segundo projeções, indicam que ambos podem disputar o segundo turno.
Indefinição sobre adversário de Keiko Fujimori no segundo turno
No entanto, a definição do segundo turno permanece incerta. Enquanto algumas projeções da empresa Datum confirmam Keiko Fujimori e Rafael López Aliaga na disputa final, levantamentos da Ipsos apontam Keiko ao lado de Roberto Sánchez, ex-ministro de Pedro Castillo. Sánchez é associado ao movimento que apoiou Castillo, presidente que tentou um autogolpe em 2022.
Caso a tendência se confirme com Aliaga no segundo turno, o Peru se depararia com uma escolha entre Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, e um representante de um movimento ultraconservador. A perspectiva de enfrentar Aliaga animou Keiko, que declarou: “Os resultados são um sinal muito positivo para o nosso país, porque o inimigo é a esquerda”.
Keiko Fujimori, que concorre à presidência pela quarta vez, busca superar as derrotas anteriores no segundo turno, frequentemente atribuídas ao forte sentimento antifujimorista no Peru. Essa rejeição é motivada pelo histórico de seu pai, condenado por corrupção e violações de direitos humanos. A dinâmica de uma possível disputa contra um candidato tão radical quanto Aliaga, porém, ainda é uma incógnita.





