Kast em Baixa: Crise Econômica Desafia Governo Chileno Seis Meses Após Posse
José Antonio Kast assumiu a presidência do Chile há seis meses com a promessa de um “governo de emergência”, focado em combater a criminalidade e a imigração irregular. No entanto, a emergência que agora domina a agenda é a econômica, com o aumento do desemprego e a inflação impactando diretamente a popularidade do mandatário.
Os indicadores econômicos preocupantes colocam o governo sob pressão. O desemprego atingiu 9,5%, o maior índice em cinco anos, enquanto a inflação anual se situa em 4,1%. Para piorar, o Banco Central chileno revisou para baixo a previsão de crescimento do PIB para este ano, indicando uma expansão de apenas 0,25% a 0,75%.
O próprio Kast já reconheceu a gravidade da situação, admitindo que o Chile atravessa um “período de crise”. O chamado “bencinazo”, o aumento do preço da gasolina repassado aos consumidores, foi um dos primeiros golpes na aprovação presidencial, conforme admitido pelo próprio presidente. Esses dados e percepções foram divulgados pela newsletter Cercanías, da Folha de S.Paulo.
Queda Livre na Aprovação e Mudança de Foco
Uma pesquisa recente da Cadem, realizada para marcar os seis meses de governo, revela um cenário desafiador para Kast. Apenas 35% dos chilenos aprovam sua gestão, enquanto 61% desaprovam. Mais preocupante ainda, 62% dos entrevistados consideram que o governo tem sido pior do que o esperado, e apenas 8% veem melhora.
O “bencinazo” foi apontado por 38% dos entrevistados como um dos principais erros do governo. Essa pesquisa demonstra uma clara inversão nas prioridades da população chilena. Se Kast chegou ao poder com o discurso de segurança e combate ao crime, agora a economia e o emprego se tornaram as preocupações centrais.
Economia Supera Segurança nas Prioridades Chilenas
Atualmente, 79% dos chilenos apontam a economia e o emprego como as áreas que o governo deveria priorizar, enquanto segurança, delinquência e narcotráfico aparecem com 33%. Essa mudança de perspectiva é significativa, considerando que a eleição de Kast foi impulsionada pelo medo da criminalidade e por uma onda conservadora na região.
O presidente havia participado de iniciativas como o Escudo das Américas, promovido por Donald Trump, focado no combate ao crime organizado. Contudo, a urgência atual do eleitor chileno parece ser mais prosaica: emprego, salários e custo de vida. A promessa de ordem e segurança, que o alçou à presidência, agora compete com a necessidade de estabilidade econômica.
Governo Argumenta Herdando Problemas e Planeja Recuperação
A equipe de Kast argumenta que herdou problemas complexos que não podem ser resolvidos em apenas seis meses. Eles afirmam que as políticas atuais visam preparar o terreno para uma recuperação econômica, destacando o ajuste das contas públicas e a intenção de destravar investimentos. A redução de gastos fiscais, aliás, foi apontada pela própria Cadem como um dos acertos da gestão.
É importante notar que seis meses é um período curto para definir o sucesso de um mandato de quatro anos. O Chile, apesar de suas tensões sociais, continua sendo uma das democracias e economias mais estáveis da América Latina. O desafio para Kast é demonstrar que sua gestão consegue responder à crise econômica, uma pauta antiga e recorrente na política latino-americana, que afeta diretamente o cotidiano dos cidadãos.
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Em outra notícia da região, a Venezuela viu uma pequena abertura na censura com a suspensão do bloqueio de 17 sites de notícias, incluindo o “Efecto Cocuyo”, após oito meses da queda de Nicolás Maduro. Jornalistas celebram, mas ressaltam que ainda há 188 sites bloqueados, segundo a VE Sin Filtro.
Na esfera cultural, o legado do cineasta chileno Patricio Guzmán, falecido aos 85 anos, é celebrado. Sua obra “A Batalha do Chile”, trilogia que documentou a tensão política pré-golpe de 1973, será exibida em cópias restauradas na 50ª Mostra de São Paulo. Além disso, a série documental “Colosio – Assassinato Político” da HBO Max revisita o mistério não resolvido do assassinato do candidato presidencial mexicano em 1994.





