China defende ‘não interferência’ após EUA designarem PCC e CV como terroristas
A China, por meio de sua porta-voz Mao Ning, reiterou nesta sexta-feira (29) a defesa do princípio de não interferência em assuntos internos. A declaração surge em resposta à decisão dos Estados Unidos de classificar as organizações criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas.
A porta-voz afirmou que a China sempre defende a não interferência em assuntos internos de outros países. A resposta de Pequim vem após os EUA anunciarem a designação das facções criminosas como terroristas, uma medida que ocorreu logo após uma visita do senador Flávio Bolsonaro a Washington.
Durante a visita, o senador americano Marco Rubio, do Departamento de Estado, classificou as organizações como “as mais perigosas do Brasil”, com alcance regional e transnacional. Ele assegurou que a administração Trump utilizaria “todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar o financiamento e recursos narcoterroristas”. A decisão se insere em um contexto de revisão das definições de narcoterrorismo e intensificação de operações militares americanas na América Latina.
Ações americanas no exterior e a reação chinesa
Os Estados Unidos, sob a administração Trump, têm intensificado suas operações contra organizações classificadas como narcoterroristas, especialmente na América Latina. Um exemplo notório foi a operação em Caracas, Venezuela, que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
Na ocasião da prisão de Maduro, a China se manifestou contra a intervenção americana, defendendo a soberania dos países. O Ministério das Relações Exteriores chinês instou Washington a garantir a segurança do casal e exigir sua libertação, afirmando que a China se opõe firmemente ao “comportamento hegemônico dos EUA, que viola gravemente o direito internacional e a soberania da Venezuela”.
Padrão de crítica da China a ações dos EUA
Este não é o primeiro caso em que a China critica ações americanas na região. Na semana passada, Pequim denunciou o “abuso dos meios judiciais” após os EUA indiciarem o ex-líder cubano Raúl Castro pela derrubada de dois aviões em 1996.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, declarou que a China se opõe firmemente a sanções unilaterais ilegais e ao abuso dos meios judiciais, além de se posicionar contra pressões externas sobre Cuba.
Contexto da designação de PCC e CV
A designação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos visa, segundo Washington, cortar o financiamento e os recursos dessas facções. A decisão ocorre em um momento de crescente preocupação com a atuação do crime organizado transnacional na América Latina.
A posição da China, reiterando a não interferência, reflete uma política externa consistente de Pequim em relação a ações de outros países em seus assuntos internos, especialmente quando essas ações são lideradas pelos Estados Unidos.





