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China na ONU: Vice de Xi Jinping critica EUA sem citar Trump após visita tensa a Washington

China na ONU critica EUA sem citar Trump em discurso após visita tensa

Após a visita de Estado do líder chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos, o vice-líder da China, Han Zheng, fez um pronunciamento na 81ª Assembleia Geral da ONU neste sábado (26) com críticas contundentes a diversas políticas internacionais. Contudo, em um movimento diplomático notável, Han Zheng evitou citar nominalmente os Estados Unidos ou o presidente Donald Trump em seu discurso.

O discurso de Han Zheng, que substituiu Xi Jinping no debate da ONU, ocorreu logo após o retorno do líder chinês de uma visita oficial a Washington. A duração da visita, limitada a três dias pela China, foi interpretada pela imprensa asiática como uma mensagem de igualdade de importância entre as duas potências, espelhando a visita de Trump a Xi em maio, que também durou o mesmo período.

As críticas abordaram temas como conflitos bélicos, o respeito à soberania de nações no Oriente Médio, a crise em Cuba e a necessidade de apoio ao Sul Global. As declarações, embora indiretas, ecoam tensões recentes entre as duas nações, especialmente em relação a questões como o Irã e o comércio internacional. Essas informações foram divulgadas pela imprensa asiática.

Críticas indiretas a políticas americanas em diversas frentes

O vice-líder chinês iniciou seu pronunciamento destacando a busca global pela paz, afirmando que “o mundo quer paz, não guerras”. Ele enfatizou a necessidade de superar conflitos para construir uma paz duradoura. Em seguida, abordou a questão da soberania, declarando que “a China considera que a soberania e a segurança dos países do Oriente Médio, incluindo os países do Golfo, devem ser respeitadas”. Essa declaração surge em um contexto de tensões na região, onde os Estados Unidos têm um papel significativo.

Durante as negociações em Washington, o presidente Trump alertou Xi Jinping sobre o apoio chinês ao Irã. Relatos indicavam que Pequim estaria fornecendo armamentos ao regime iraniano e auxiliando na evasão de sanções. Xi Jinping teria garantido a Trump que a China não apoiaria o regime iraniano, segundo informações da imprensa asiática.

Ucrânia, Cuba e a crítica ao protecionismo comercial

Em relação ao conflito na Ucrânia, Han Zheng poupou a Rússia, aliada da China, e não mencionou o país de Vladimir Putin. Ele se limitou a afirmar que Xi Jinping já apresentou os pontos de vista da China sobre o assunto. No entanto, o vice-dirigente chinês direcionou críticas mais diretas aos Estados Unidos ao comentar a crise em Cuba. “A China insta o país em questão [os EUA] a cessar imediatamente o uso da ameaça da força contra Cuba e a suspender imediata e completamente o bloqueio e as sanções”, declarou Han Zheng.

Ao contrário de pronunciamentos anteriores, o discurso deste ano na ONU não mencionou Taiwan. Han Zheng apenas relembrou a Resolução 2.758 da ONU de 1971, que reconheceu a República Popular da China como a única representante legítima do país nas Nações Unidas. A questão de Taiwan, que a China considera parte inalienável de seu território, foi um ponto sensível durante a visita de Xi Jinping a Washington, especialmente devido ao plano americano de vender US$ 14 bilhões em armamentos para Taipé.

Outro ponto criticado, sem menção direta aos EUA, foi o protecionismo comercial. Han Zheng afirmou que “o protecionismo não produz vencedores”. Ele acrescentou que “construir muros, erguer barreiras, promover o descolamento e interromper cadeias de suprimentos desestabilizam as cadeias industriais e de suprimentos globais e prejudicam os interesses de todas as partes”.

Apelo por desenvolvimento global e rejeição a preconceitos ideológicos

O vice-líder chinês também destacou a necessidade de os países desenvolvidos financiarem o desenvolvimento de nações do Sul Global. “É importante dar prioridade a áreas fundamentais, incluindo a redução da pobreza, a segurança alimentar e a transição energética, ampliar a destinação de recursos e aumentar o apoio aos países do Sul Global”, disse. Ele ressaltou que “os países desenvolvidos devem cumprir seus compromissos de financiamento ao desenvolvimento e de financiamento climático”.

Han Zheng defendeu o multilateralismo e a cooperação internacional, conclamando a comunidade internacional a “construir consensos e unir esforços para formular a agenda global de desenvolvimento pós-2030”. Ele também abordou a importância do desenvolvimento da inteligência artificial para fins positivos e a necessidade de “reduzir a divisão digital”.

O discurso concluiu com um apelo à promoção dos intercâmbios culturais e ao diálogo entre as nações. Han Zheng enfatizou que “devemos rejeitar o preconceito ideológico e respeitar os caminhos de desenvolvimento e os sistemas sociais escolhidos de forma independente pelos povos de todos os países”.

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