Governo de Netanyahu propõe dissolver o Knesset, expondo fragilidades internas e antecipando cenário eleitoral em Israel.
Em um movimento que pode alterar significativamente o panorama político de Israel, a coalizão que sustenta o governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu apresentou uma proposta para a dissolução do Parlamento, o Knesset. Esta iniciativa, que ainda precisa passar por diversas votações e análises em comissões, indica uma tentativa de controlar os próximos passos em meio a crescentes pressões internas.
A proposta surge em um momento delicado para Netanyahu, especialmente devido a divergências com partidos ultraortodoxos. Um dos principais pontos de atrito é a demanda desses grupos religiosos para que jovens ultraortodoxos sejam isentos do serviço militar obrigatório, uma exigência que o governo rejeitou, gerando forte reação.
Diante da possibilidade de outros partidos acelerarem o processo de dissolução, o partido de Netanyahu e seus aliados optaram por apresentar a própria proposta. O objetivo seria manter algum controle sobre o cronograma e as condições para a convocação de novas eleições, conforme informações divulgadas pela imprensa israelense. A primeira votação deste projeto está prevista para a próxima semana.
Pressão dos ultraortodoxos e manobra política
A legenda ultraortodoxa Degel HaTorah havia anunciado na terça-feira (12) que defenderia a dissolução do Parlamento. A decisão foi tomada após o governo de Netanyahu negar a isenção do serviço militar para jovens de comunidades ultraortodoxas. Essa discordância expôs as tensões entre o governo e setores religiosos fundamentais para a sustentação da coalizão, a mais à direita da história de Israel.
Em resposta a essa pressão e para tentar evitar que a oposição ditasse o ritmo, o partido governista e outros membros da coalizão apresentaram a proposta de dissolução. Essa manobra visa, portanto, gerenciar o processo de antecipação das eleições, que já se tornava uma possibilidade cada vez mais real.
Oposição se prepara para o pleito
Enquanto o governo lida com suas crises internas, a oposição já demonstra preparo para um eventual pleito antecipado. Yair Lapid, um dos principais líderes da oposição, afirmou que ele e o ex-premiê Naftali Bennett estão “prontos, juntos” para as eleições. A declaração faz referência à nova aliança formada entre eles, chamada “Juntos”, em hebraico.
Recentemente, a imprensa israelense noticiou que a coalizão governista retirou da agenda todos os projetos de lei que estavam previstos para votação nos próximos dias. Essa decisão reforça a percepção de que o governo está se movendo em direção a um cenário de fim de mandato e preparação para novas eleições.
Pesquisas eleitorais apontam para a oposição
Pesquisas eleitorais recentes divulgadas pela mídia local indicam um cenário desfavorável para o atual governo. Segundo os levantamentos, a oposição teria condições de conquistar a maioria no Knesset em uma próxima eleição. No entanto, a formação de uma maioria anti-Netanyahu ainda enfrenta desafios, como a recusa de alguns líderes opositores em formar alianças com partidos árabes.
Apesar dessas dificuldades, a proposta de dissolução do Parlamento sinaliza um período de grande incerteza política em Israel. A necessidade de aprovar a medida em votações e comissões pode levar semanas, mas o movimento já demonstra a fragilidade da coalizão de Netanyahu e a iminência de um novo embate eleitoral.





