Escalada de Violência na Cisjordânia: Azeitonas Palestinas Roubadas por Colonos em Meio a Conflitos
A tradicional colheita de azeitonas na Cisjordânia, um momento de união familiar e sustento para os palestinos, tem sido marcada por um aumento alarmante na violência e roubos perpetrados por colonos israelenses. Relatos de agressões físicas, intimidação e apropriação de frutos ganham força, intensificando o clima de medo e insegurança na região ocupada.
Famílias palestinas temem por sua segurança ao se dirigirem aos olivais, muitos dos quais estão próximos a assentamentos israelenses. O medo de retaliação impede que intervenham quando seus produtos são levados, transformando uma atividade ancestral em um ato de risco constante. A ONU e grupos de direitos humanos israelenses confirmam a gravidade da situação.
Este cenário de conflito se agrava em um período de tensões políticas, com ataques intensificados às vésperas de eleições em Israel. A disputa pelas azeitonas, um símbolo cultural e econômico para os palestinos, expõe as profundas fraturas e a escalada da violência na Cisjordânia, segundo informações divulgadas pela Reuters.
Ameaças e Roubos Generalizados na Temporada de Azeitonas
Ahmed Salem, um palestino de 50 anos, descreve com lágrimas nos olhos como colonos israelenses, armados com varas, invadiram suas oliveiras e levaram as azeitonas. Ele relata que o casal que reside em um posto avançado de colonos próximo à sua aldeia, Lubban al-Gharbi, recusou comentar o incidente. O Conselho Yesha, que representa os assentamentos israelenses, também não se pronunciou sobre os roubos de azeitonas.
A colheita da azeitona, que se inicia com a chegada do clima mais ameno, costuma reunir famílias palestinas em seus pomares. Salem lamenta que seu filho de seis anos já associa a atividade ao medo, em contraste com as memórias de sua própria infância, quando a colheita era um momento de convívio e fartura. A expansão de postos avançados de colonos tem restringido o acesso palestino a muitas terras agrícolas.
Ziv Stahl, diretor executivo do grupo de direitos israelense Yesh Din, explica que a presença crescente de colonos e a restrição de acesso aos palestinos criam uma situação insustentável. “Os colonos podem ir e vir livremente, e é isso que fazem”, afirma Stahl, destacando a impunidade que cerca essas ações. O Yesh Din registrou, nos primeiros 24 dias da safra, 125 agressões físicas e 168 incidentes de roubo de colheita, com a presença militar israelense em pelo menos um quarto dos casos.
Reações Divergentes e o Papel das Forças Militares
Um oficial militar israelense declarou que atos de violência e atividades criminosas são levados a sério, mas não comentou especificamente os roubos de azeitonas na presença de suas forças. Em alguns casos, as forças militares israelenses chegaram a remover árvores com escavadeiras, alegando necessidade de prevenir ataques palestinos.
A questão dos roubos de azeitonas divide opiniões entre os rabinos israelenses. Enquanto Zev Weitman, rabino do assentamento de Alon Shvut, classifica a ação como roubo e proibida pela lei judaica, o proeminente rabino Dov Lior defende que os colonos têm o direito de colher em toda a Cisjordânia, argumentando que os palestinos não possuem direitos de propriedade sobre a terra e que a colheita cumpre o “mandamento de conquistar a terra”.
Terras Confiscadas e a Propagação da Ideologia de Conquista
Centenas de acres de terra, incluindo olivais, ao redor da aldeia de Lubban al-Gharbi foram confiscados entre 2023 e 2026 para a construção da Fazenda Avichai, um posto avançado de colonos. Moradores locais relatam ter visto colonos colhendo azeitonas dessas terras e as levando para o lagar da fazenda.
Nas redes sociais, colonos convocaram israelenses a colher azeitonas na Cisjordânia para a Fazenda Avichai, promovendo a ideia de “fortalecimento do domínio judeu sobre as vastas extensões de nossa terra”. A Fazenda Avichai, administrada pela Associação de Fazendas, grupo com apoio financeiro do governo israelense, vende azeite a cerca de US$ 20 a garrafa, anunciando “produtos premium”.
Moradores palestinos que perderam terras devido à expansão dos assentamentos consideram a colheita de azeitonas de árvores em pomares confiscados como roubo. A comunidade internacional e a ONU consideram os assentamentos israelenses em terras ocupadas ilegais sob o direito internacional, uma posição rejeitada por Israel, que considera o território como disputado.





