Colômbia deixa coalizão internacional pelos direitos LGBT+ sob governo de Espriella
A Colômbia anunciou nesta quinta-feira (17) sua saída da Coalizão pela Igualdade de Direitos, um bloco internacional que reúne mais de 40 países e que tem como objetivo a promoção dos direitos da população LGBTQIA+. O país, que exercia a presidência da coalizão ao lado da Espanha, adota uma postura alinhada a outros governos de direita na América Latina, como o da Argentina de Javier Milei, que também tem demonstrado ceticismo em relação a agendas de diversidade.
A decisão foi comunicada por Pedro Agustín Roa, vice-ministro de Relações Exteriores, que buscou tranquilizar a população afirmando que a retirada não significa um retrocesso nos direitos da comunidade. Ele ressaltou que a Colômbia possui uma legislação robusta, com proteção constitucional, políticas públicas e decisões judiciais que salvaguardam as minorias com base na orientação sexual.
A justificativa oficial para a saída é um “exercício de priorização”, onde a participação na coalizão foi considerada não prioritária para a agenda do governo. Roa agradeceu à Espanha e às organizações da sociedade civil com as quais a Colômbia dividiria a presidência até 2027. A informação foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, conforme apurado por reportagens.
Mudança de rumo sob Espriella e alinhamento com a direita regional
A entrada da Colômbia na coalizão ocorreu em dezembro de 2024, durante o governo de Gustavo Petro. A saída agora, sob o governo de Abelardo de la Espriella, eleito em junho deste ano, sinaliza uma virada nas políticas relacionadas a minorias, conforme prometido em sua campanha. Espriella, um ultradireitista, defendeu em maio deste ano uma “contrarrevolução cultural”, criticando o que chamou de “ideologia de gênero” nas escolas.
Durante a campanha, Espriella também expressou posições conservadoras sobre a adoção por casais homoafetivos. Embora tenha afirmado que respeitaria o direito caso eleito, ele ponderou que a “divisão de papéis” em uma família tradicional seria mais benéfica para o desenvolvimento infantil, alinhando-se a princípios judaico-cristãos.
A postura de Espriella encontra eco em outros líderes da região. A Argentina, sob Javier Milei, que assumiu em 2023, também tem sido apontada por tentar minar discussões sobre diversidade em sua agenda internacional. O Brasil, por sua vez, aderiu à coalizão no mesmo ano em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornou ao poder.
Agenda conservadora impulsiona novas propostas no Congresso
Além da retirada da coalizão, o novo governo colombiano já demonstra sinais de uma agenda conservadora. A Bancada Pró-vida no Congresso, composta por mais de 50 políticos, apresentou um projeto para proteger a vida “desde a concepção”, o que poderia tornar o aborto, atualmente permitido até a 24ª semana de gestação, ilegal. Outro projeto visa proibir tratamentos médicos de afirmação de gênero para crianças e adolescentes.
Luis Miguel López, deputado e um dos líderes do grupo, celebrou a saída da Colômbia da Coalizão pela Igualdade de Direitos, afirmando que o país pode defender a dignidade humana sem submeter sua política externa a “agendas ideológicas”. Ele assegurou que a decisão não implica ignorar ou violar os direitos de nenhum colombiano.
Organizações civis expressam preocupação com retrocessos
A Caribe Afirmativo, organização da sociedade civil colombiana e copresidente da coalizão, manifestou “preocupação” com a decisão do governo. Em suas redes sociais, o grupo declarou que a saída “impõe limites e obstáculos diretos à defesa dos direitos LGBTIQ+” e ao cumprimento de compromissos internacionais. A gravidade da situação é amplificada pelo fato de a Colômbia ter assumido a copresidência da coalizão em um momento de retrocessos globais nos direitos da comunidade.
A saída dos Estados Unidos da entidade em 2025, durante o segundo mandato de Donald Trump, também é citada como um precedente. Os EUA, que em 2016 se declaravam “orgulhosos membros-fundadores” do grupo, optaram por deixar a organização, evidenciando uma tendência de afastamento de algumas nações em relação a pautas de direitos humanos de minorias.





