Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Cuba: Centenário de Fidel Castro em Meio à Pior Crise Energética e Econômica Desde a Revolução

Cuba comemora o centenário de Fidel Castro em um cenário de profunda crise econômica e energética, a mais severa desde a revolução de 1959.

Nesta quinta-feira, 13 de agosto, Cuba celebra o centenário de nascimento de Fidel Castro, figura central da revolução que transformou o país. No entanto, as comemorações ocorrem em um dos momentos mais difíceis da história cubana pós-revolução, marcado por apagões frequentes e dificuldades econômicas crescentes.

Fidel Castro, falecido há uma década, não testemunhou o agravamento das sanções impostas pelos Estados Unidos, especialmente sob a administração de Donald Trump. Essas medidas, em vigor desde a década de 1960, praticamente colapsaram o sistema energético da ilha, levando a múltiplos apagões generalizados em todo o país desde o início do ano.

Apesar das adversidades, a liderança do Partido Comunista, encabeçada por Miguel Díaz-Canel e com a influência informal de Raúl Castro, irmão de Fidel, organizou eventos em homenagem ao líder. Um colóquio intitulado “Fidel: Legado e Futuro” está em andamento no Centro de Convenções de Havana desde segunda-feira, culminando com um ato oficial na capital e em Santiago de Cuba, onde o líder revolucionário está sepultado. Conforme informação divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo, diversas nações também registraram homenagens, como a instalação de uma estátua de 20 metros em Manágua, Nicarágua, e campanhas de arte e plantio de árvores em Venezuela e Argentina.

O legado de Fidel Castro: autonomia e projeção internacional

Arturo Lopez-Levy, professor de relações internacionais, destaca que um dos principais feitos de Fidel Castro foi conferir a Cuba uma **”capacidade de dizer não”** aos Estados Unidos. Ele ressalta que, antes da revolução, a ilha vivia uma forte dependência de Washington, agindo como um protetorado. Fidel pôs fim a essa subordinação.

Um depoimento de Earl E. T. Smith, embaixador americano em Cuba antes da revolução, ao Senado dos EUA em 1960, ilustra essa dependência. Smith afirmou que o embaixador americano era **”o segundo homem mais importante em Cuba, às vezes até mais importante que o presidente”**.

Lopez-Levy pondera que, embora Cuba tenha se voltado para a União Soviética para sobreviver ao embargo, a relação com a URSS permitiu **maior autonomia** em comparação com a dependência de Washington. Essa autonomia permitiu que Cuba se tornasse uma potência política e diplomática no chamado Sul Global, apoiando movimentos de libertação na África e enviando médicos para diversos países, inclusive o Brasil.

Desafios atuais e o futuro incerto de Cuba

O professor Lopez-Levy, no entanto, ressalta que **”todo esse mérito já não é tão relevante hoje porque o mundo mudou”**. As antigas estratégias não são mais suficientes para resolver os problemas internos e externos de Cuba. A **falta de sustentabilidade econômica** do projeto e o **atraso na transição geracional** de liderança, segundo ele, deixaram o país em uma posição ainda mais delicada frente às transformações globais.

A juventude cubana, que não vivenciou os “tempos gloriosos” da revolução, enfrenta as crises acumuladas desde a década de 1990, após o colapso da União Soviética. O sistema atual limita as fronteiras políticas e a projeção internacional de Cuba.

“Hoje, por exemplo, na América Latina, Claudia Sheinbaum e Luiz Inácio Lula da Silva são figuras mais importantes para a esquerda latino-americana do que Raúl Castro ou Miguel Díaz-Canel”, exemplifica Lopez-Levy. A mensagem é clara: **”As pessoas não podem viver no ontem.”** A ilha busca um caminho para se adaptar a um mundo em constante mudança, honrando seu passado sem ficar presa a ele.

Veja também

Newsletter

Assine nossa newsletter e fique por dentro das novidades!

Mais Vistos