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Data Centers nos EUA: Gigantes da Tecnologia Secam Aquíferos e Roubam Água Subterrânea em Cidades Rurais

Data centers nos EUA em xeque: Consumo voraz de água ameaça comunidades rurais em meio à seca

Relatos recentes revelam que grandes empreendimentos de data centers nos Estados Unidos estão sob investigação por supostamente consumirem vastas quantidades de água, muitas vezes de forma não autorizada. O caso ganha contornos dramáticos ao expor que essas operações ocorrem em regiões que já sofrem com o estresse hídrico, levantando sérias preocupações sobre a sustentabilidade e o futuro dos recursos hídricos.

Moradores locais, ao notarem a diminuição da pressão da água em suas torneiras ou a necessidade de medidas de controle de poeira em canteiros de obras, acabaram, inadvertidamente, alertando as autoridades. Essa descoberta involuntária expõe um conflito crescente entre a demanda insaciável por infraestrutura digital e a disponibilidade limitada de um recurso vital para a vida humana e o meio ambiente.

As estatísticas apresentadas pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) são alarmantes, projetando um aumento drástico no consumo de água por data centers nos próximos anos. O Texas, em particular, já enfrenta uma crise hídrica severa, com reservatórios e aquíferos em níveis perigosamente baixos, evidenciando a urgência de debater o impacto desses empreendimentos. Conforme apurado pelo site Politico e divulgado pela Fortune, esses incidentes estão longe de ser isolados, refletindo um padrão preocupante em diversas partes do país.

O caso da Geórgia: Consumo de água sem permissão e impacto em residências

No Condado de Fayette, Geórgia, moradores de um condomínio de alto padrão notaram uma queda acentuada na pressão da água. A investigação subsequente revelou que um campus de data centers, operado pela Quality Technology Services (QTS), uma empresa pertencente à Blackstone, estava utilizando duas conexões de abastecimento de água sem a devida autorização. Um dos hidrômetros sequer estava vinculado a uma conta de cobrança, resultando no consumo de mais de 110 milhões de litros de água, o equivalente a 44 piscinas olímpicas, sem o conhecimento das autoridades locais.

A QTS, em comunicado enviado à Fortune, negou o uso inadequado de água, atribuindo o ocorrido a um erro de faturamento pela companhia de água. A empresa afirmou que o alto consumo estava ligado a atividades temporárias de construção, como concreto e controle de poeira, e que, em operação, o sistema de resfriamento será fechado, com consumo comparável ao de quatro residências americanas. Contudo, as obras de expansão devem continuar por mais três a cinco anos.

Apesar das explicações, a carta enviada pela companhia de água do Condado de Fayette detalhou que o uso de água nos medidores em questão, somado a outro, excedia significativamente o volume máximo aprovado. A QTS efetuou o pagamento retroativo de US$ 147.474, com uma tarifa de construção, o dobro da tarifa normal de varejo. A diretora do departamento de água, Vanessa Tigert, justificou a ausência de multa pela relação de parceria com o maior cliente do condado, conforme noticiado pelo Politico.

Arizona: Água para controle de poeira sem autorização em região de escassez

Em Tucson, Arizona, uma situação similar veio à tona. Após um morador questionar o uso de água para controle de poeira em um canteiro de obras de um data center, uma investigação revelou que uma empreiteira havia obtido um hidrômetro para água de construção dentro da área de atendimento da cidade, mas transportou essa água para fora dos limites municipais, para o local do empreendimento conhecido como Project Blue. Essa ação ocorreu sem a devida autorização da prefeitura.

A Beale Infrastructure, desenvolvedora do projeto, alegou que a cidade havia emitido uma autorização temporária para água de construção. No entanto, o porta-voz da prefeitura, Andy Squire, esclareceu que o documento era apenas um pedido de hidrômetro de construção para uso dentro da área de atendimento da Tucson Water, e que a empreiteira não informou que a água seria levada para fora dos limites municipais. A cidade exigiu a reposição de cerca de 2,46 milhões de litros de água, o equivalente ao consumo anual de seis a sete residências americanas.

O Departamento de Qualidade Ambiental do Condado de Pima emitiu uma Notificação de Violação contra a Beale por excesso de poeira e ausência de medidas de controle, segundo a emissora local KGUN9. Este caso também destaca uma estratégia de algumas incorporadoras de construir logo além dos limites municipais para contornar a lei estadual de Garantia e Adequação de Abastecimento de Água, que exige comprovação de suprimento hídrico por 100 anos.

Escala do problema: Números alarmantes e proibições crescentes

Os dados sobre o consumo de água por data centers são impressionantes. Em 2023, eles consumiram diretamente 66 bilhões de litros de água nos EUA, com projeções da EPA indicando um aumento para algo entre 144 e 276 bilhões de litros até 2028. No Texas, um estudo do Houston Advanced Research Center estima que os data centers consumirão 185 bilhões de litros em 2025 e até 1,51 trilhão de litros em 2030, o que equivaleria a reduzir o nível do Lago Mead em mais de 4,8 metros em um ano.

O Google, em Oregon, teve seus data centers consumindo 1,34 bilhão de litros em 2021, cerca de um quarto do abastecimento total da cidade de The Dalles. A empresa chegou a financiar um processo contra um jornal local que tentou obter esses dados, alegando segredo comercial. Em resposta a essas preocupações, mais de 50 cidades nos EUA já aprovaram proibições ou moratórias para novas construções de data centers, incluindo Fayetteville, na Geórgia.

Enquanto isso, empresas como a Meta buscam mitigar a imagem negativa. Um porta-voz da Meta afirmou à Fortune que a empresa está comprometida em ser “water positive” até 2030, restaurando mais água do que consome. A empresa também compartilhou que um estudo independente na Geórgia confirmou a ausência de relação entre os problemas nos poços e as operações do data center. Contudo, a realidade em campo, com comunidades disputando o que resta de água e enfrentando secas severas, como na Geórgia, levanta sérias dúvidas sobre a sustentabilidade desse modelo de crescimento.

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