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Doe Órgãos: Cartórios Digitais Facilitam Manifestação da Vontade em Vida e Reduzem Recusa Familiar

Doe Órgãos: Cartórios Digitais Facilitam Manifestação da Vontade em Vida e Reduzem Recusa Familiar

Em um país onde mais de 49 mil pessoas aguardam por um transplante, a doação de órgãos ganha destaque durante o Setembro Verde, mês de conscientização sobre o tema. Uma ferramenta inovadora tem facilitado a manifestação formal do desejo de ser doador: a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo), disponível em cartórios de notas.

Desde o lançamento da plataforma em 2024, mais de 32 mil brasileiros já utilizaram os serviços online para registrar sua intenção de doar órgãos. O procedimento, totalmente gratuito e realizado pela internet, visa simplificar o processo e aumentar o número de doações, em um cenário de alta demanda por transplantes.

A iniciativa, promovida pelo Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), busca superar um dos maiores obstáculos para a doação: a autorização familiar. Com a Aedo, o cidadão garante que sua vontade seja conhecida e respeitada, além de incentivar conversas importantes dentro do núcleo familiar sobre este ato de solidariedade. Conforme informação divulgada pelo CNB/CF, mais de 32 mil brasileiros já utilizaram cartórios de notas para manifestar formalmente a intenção de doar órgãos, desde o lançamento da Aedo.

Aedo: Como Formalizar o Desejo de Doar Órgãos Online

O processo para manifestar a intenção de doar órgãos através da Aedo é simples e acessível. O interessado deve acessar a plataforma e-Notariado, preencher seus dados e selecionar um cartório de notas de sua preferência. Em seguida, participa de uma videoconferência com o tabelião, que confirmará sua identidade e seu desejo de ser um doador.

O documento é assinado eletronicamente e, a partir daí, passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos. Profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes podem consultar essa central para verificar a manifestação de vontade do doador. É importante ressaltar que o cidadão pode especificar quais órgãos, tecidos ou partes do corpo deseja doar e tem a liberdade de revogar essa autorização a qualquer momento.

Desafios da Doação de Órgãos no Brasil e o Papel da Aedo

Apesar dos avanços, a doação de órgãos no Brasil ainda enfrenta desafios significativos. Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que mais de 49 mil pessoas estão na fila por um transplante, sendo a maioria (cerca de 45 mil) à espera de um rim. A fila por córneas também é expressiva, com 37.719 pessoas, um aumento de 15% em relação a dezembro de 2025, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

Um dos principais entraves é a autorização familiar, que, mesmo com a manifestação em vida do doador, ainda é necessária. A taxa média de recusa familiar gira em torno de 45%, frequentemente motivada pelo desconhecimento da vontade do potencial doador ou por dúvidas sobre o procedimento. A Aedo surge como uma ferramenta crucial para mitigar essas barreiras, tornando a vontade do indivíduo formal e mais conhecida pela família.

Números e Distribuição Geográfica da Adesão à Aedo

Desde a sua criação, a Aedo registrou uma expressiva adesão em todo o país. São Paulo lidera o número de manifestações, com 9.399 solicitações, seguido pelo Paraná (3.818), Rio de Janeiro (2.930), Minas Gerais (2.172) e Rio Grande do Sul (2.012). A plataforma recebe solicitações de todas as unidades da Federação, demonstrando o alcance nacional da iniciativa.

Os dados mais recentes da plataforma indicam 18.659 solicitações em 2024, 8.886 em 2025 e 5.042 em 2026. Embora tenha havido uma queda nas solicitações mais recentes, atribuída por alguns a menos campanhas de divulgação, o número total de manifestações reafirma o potencial da Aedo em conscientizar e facilitar a doação de órgãos.

A Importância da Conversa Familiar e o Dia Nacional de Doação de Órgãos

Eduardo Calais, presidente do CNB/CF, reforça a importância da Aedo como um facilitador, mas destaca que a decisão final é familiar. “A decisão final continua sendo da família. Por isso, tão importante quanto registrar a vontade de ser doador é conversar sobre ela. A Aedo permite que essa manifestação fique formalizada e ajuda a levar esse assunto para dentro das famílias, para que elas conheçam previamente a decisão de quem deseja doar”, explica.

Neste contexto, o Dia Nacional de Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, é uma data fundamental para estimular discussões e incentivar as pessoas a comunicarem aos seus familiares o desejo de serem doadores. A formalização através da Aedo complementa essa comunicação, garantindo que a vontade do doador seja conhecida e, idealmente, respeitada.

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