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Drama de Libaneses no Brasil: Famílias Separadas e Vidas Devastadas por Bombardeios de Israel no Líbano

Comunidade libanesa no Brasil acompanha com apreensão bombardeios em seu país de origem

A guerra entre Israel e o grupo extremista Hezbollah tem gerado uma onda de sofrimento que ultrapassa fronteiras, afetando profundamente a numerosa comunidade libanesa residente no Brasil. Relatos de parentes no sul do Líbano descrevem um cenário desolador, com cidades esvaziadas, casas destruídas e a perda de entes queridos em ataques aéreos.

Hussein Nahle, dono de uma esfirraria em São Paulo, compartilha a dor da morte de seu sobrinho Abas, de 22 anos, em um bombardeio israelense na aldeia de Taybeh. Ele conta que o jovem foi atingido enquanto visitava um amigo em uma vila quase deserta. Essa tragédia pessoal reflete o drama vivido por muitas famílias que mantêm laços estreitos com o Líbano.

A Associação Cultural Brasil-Líbano estima que cerca de 8 milhões de libaneses e seus descendentes vivam no Brasil, muitos dos quais com familiares ainda no Líbano. Para eles, as notícias da guerra não são apenas manchetes, mas uma fonte constante de preocupação e angústia. Conforme informação divulgada pela fonte original, Hussein, que mora no Brasil desde 1997, envia mensagens diariamente para saber sobre o bem-estar de seus irmãos, enfrentando a incerteza de respostas nem sempre tranquilizadoras.

Casas pilhadas e destruídas: A realidade no sul do Líbano

Os relatos de Hussein Nahle descrevem a brutalidade dos ataques. Ele afirma que soldados israelenses invadiram casas, levando objetos de valor como televisões e motocicletas, antes de implodir os domicílios. A vila de Taybeh, de maioria xiita e localizada na fronteira com Israel, foi esvaziada e, segundo ele, demolida. Cerca de 15 mil moradores foram desalojados, incluindo as famílias de seus irmãos, que buscaram refúgio em outras cidades libanesas.

Impacto psicológico e a busca por notícias

A professora Safa Jubran, 63, também mantém o ritual matinal de checar notícias de seus parentes no Líbano. Ela imigrou para o Brasil em 1983 e relata que a guerra atual impactou drasticamente a vida de seus familiares, separando membros da mesma família e deixando-os sem acesso a água e energia elétrica. O medo e a falta de perspectiva dominam o cotidiano deles.

Safa expressa sua dificuldade em se desligar do noticiário, o que, segundo ela, prejudica sua concentração em seu trabalho como tradutora de árabe. A angústia não se limita aos libaneses, mas se estende aos seus filhos e netos brasileiros, que também sentem o peso da situação. O escritor Milton Hatoum, 73, também comentou o impacto, descrevendo imagens de casas de parentes destruídas como algo que “dá vontade de chorar”.

Brasileiros no Líbano também são vítimas

A forte ligação entre Brasil e Líbano também se manifesta na presença de cerca de 20 mil brasileiros no país árabe. Em 26 de abril, uma tragédia atingiu essa comunidade quando uma mãe e seu filho de 11 anos foram mortos em um bombardeio israelense enquanto visitavam uma casa abandonada por ordens de retirada. O pai e outro filho ficaram feridos.

Críticas à resposta do governo brasileiro

A professora Safa Jubran considera a resposta do governo brasileiro à situação como “tímida”, pedindo uma posição “mais clara, firme e contundente”, especialmente após a morte de brasileiros nos bombardeios. O Itamaraty emitiu uma nota classificando o ataque como uma “reiterada e inaceitável violação ao cessar-fogo”.

Cessar-fogo frágil e a angústia da comunidade

Apesar do cessar-fogo declarado, os combates persistem. A ofensiva israelense começou em resposta a ataques do Hezbollah. A comunidade libanesa no Brasil permanece aflita, aguardando o fim das hostilidades e notícias positivas. Safa resume o sentimento como uma “mistura de tristeza, raiva, indignação e impotência”. Hussein, por sua vez, revela ter tentado convencer seus irmãos a virem para o Brasil, mas eles recusaram, sem querer deixar suas famílias, e o custo de trazê-los é proibitivo para quem já perdeu tudo.

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