Pedido de prisão de Roberto Sánchez adiciona incerteza à eleição presidencial no Peru
O cenário eleitoral no Peru ganhou contornos de instabilidade com a notícia de que o Ministério Público solicitou a prisão do candidato presidencial Roberto Sánchez. A acusação central gira em torno de suposto fornecimento de informações falsas ao órgão eleitoral do país, referentes a contribuições de campanha entre 2018 e 2020.
A medida, anunciada pela Procuradoria-geral, surge em um momento crucial, com a apuração do primeiro turno ainda em andamento. Roberto Sánchez figura na segunda posição, o que, em tese, garantiria sua participação em um eventual segundo turno. Contudo, a disputa acirrada com o candidato de extrema-direita Rafael López Aliaga, e a lentidão na totalização dos votos, tornam o resultado final incerto.
Com 99,941% dos votos apurados, a definição de quem enfrentará Keiko Fujimori, que lidera o primeiro turno com 17,1%, ainda não está consolidada. A denúncia contra Sánchez, detalhada em um documento confirmado pelo Ministério Público à agência AFP, aponta inconsistências nos relatórios financeiros do partido Juntos pelo Peru, liderado pelo político de esquerda.
Acusações e defesa de Roberto Sánchez
Segundo a denúncia, Roberto Sánchez é acusado de prestar declarações falsas em processos administrativos e de falsificar informações sobre contribuições e rendimentos de organizações políticas. A promotoria busca uma pena de cinco anos e quatro meses de reclusão para o candidato e, de acordo com a mídia local, pediu sua desqualificação como candidato. O caso, inicialmente apresentado em janeiro de 2026, foi reformulado após rejeição parcial e aguarda audiência em 27 de maio para decidir se seguirá para julgamento.
A acusação alega que Sánchez teria recebido mais de US$ 57 mil, o equivalente a cerca de R$ 285 mil, em contribuições de membros do partido para atividades partidárias, que não teriam sido declaradas ao Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). Em sua defesa, o candidato declarou em suas redes sociais que “há anos tentam espalhar mentiras para me desacreditar politicamente”.
Sánchez reforçou que os tribunais já rejeitaram acusações anteriores sobre o suposto uso pessoal de fundos partidários, afirmando que “nunca houve fraude ou desvio de verbas”. A declaração visa desconstruir a narrativa de irregularidades financeiras que recai sobre sua candidatura.
Disputa acirrada e eleições sob escrutínio
A situação de Roberto Sánchez se insere em um contexto de eleições gerais no Peru marcadas por acusações de irregularidades. O candidato de esquerda detém 12% dos votos, enquanto Rafael López Aliaga soma 11,9%, em uma disputa praticamente empatada pela segunda vaga no segundo turno. A lentidão na apuração dos votos, com 99,94% computados, intensifica a tensão e a expectativa sobre os resultados finais.
Keiko Fujimori, por sua vez, consolida-se na liderança do primeiro turno com 17,1% dos votos. A definição do adversário que enfrentará Fujimori no pleito decisivo, no entanto, permanece em aberto, com a possibilidade de qualquer um dos dois candidatos mais próximos garantir a vaga. A decisão judicial sobre o pedido de prisão de Roberto Sánchez poderá ter um impacto significativo no desfecho eleitoral.





