Emicida reflete sobre o impacto do rap, critica conservadorismo e lamenta exposição pessoal
Emicida lançou seu novo álbum, “Mesmas Cores e Mesmos Valores”, em dezembro de 2025, uma clara homenagem ao icônico grupo Racionais MC’s e ao seu álbum “Cores e Valores” de 2014. O trabalho surge em um momento pessoal delicado para o artista, que enfrentou a perda de sua mãe, Dona Jacira, e um litígio com seu irmão, Evandro Fioti, sobre a empresa Laboratório Fantasma. Essa exposição involuntária de sua vida privada o fez se sentir “vítima da economia da atenção”.
Apesar das adversidades, o novo disco se tornou um refúgio e uma afirmação da qualidade artística de Emicida. A obra não apenas celebra seus ídolos, mas também os posiciona em um lugar de destaque na música brasileira, um debate que o próprio rapper considera “polêmico”.
Em entrevista ao Podpah e ao g1, Emicida aprofundou suas reflexões sobre a recepção do álbum, a relação do rap com o conservadorismo e a importância de reconhecer o Racionais MC’s como um pilar da cultura nacional. Conforme informação divulgada pelo g1, o rapper explicou que a polêmica em torno de considerar o Racionais o maior grupo de rap da história não reside no paralelo em si, mas na tensão que ele provoca.
Racionais MC’s: um gigante comparado a Pelé e Pixinguinha
Emicida defende que a grandeza do Racionais MC’s é comparável à de ícones como Pelé, Pixinguinha e Nise da Silveira. “O tamanho do Racionais é o tamanho do Pelé, o tamanho do Pixinguinha, o tamanho da Nise da Silveira. Racionais precisa ser entendido dentro dessa chave”, afirmou o rapper.
Ele argumenta que, assim como um gol de Pelé é monumental, a obra do Racionais MC’s possui uma dimensão cultural e histórica igualmente expressiva. O rap, segundo Emicida, é uma forma de expressão que carrega tanto a dança quanto a luta, espelhando a complexidade da cultura brasileira.
A recepção do novo álbum e a produção imagética
Sobre a recepção de “Mesmas Cores e Mesmos Valores”, Emicida expressou felicidade com a profundidade com que os fãs absorveram o disco. Ele descreveu a experiência como íntima, com momentos de dor e luz expressos de forma sensível, levando alguns ouvintes a preferirem escutá-lo sozinhos.
O rapper também revelou planos para um documentário sobre a produção do álbum, dada a riqueza do material captado. Ele reconhece a necessidade de se tornar um criador de conteúdo mais presente nas redes sociais, embora prefira uma abordagem mais “rarefeita”.
Rap, conservadorismo e a “economia da atenção”
Emicida abordou a crítica recorrente sobre a qualidade técnica de shows de rap em festivais, contrastando com a exigência feita a outros gêneros. Ele sugere que essa cobrança se intensifica quando o artista possui um discurso que desafia o status quo, como o do “rap legítimo”.
O rapper também comentou o surgimento de artistas com discursos conservadores e alinhados à extrema-direita, que dialogam com uma corrente política contraditória aos pilares do hip-hop. Ele atribui parte disso à dificuldade de interpretação textual em uma parcela da população, mas ressalta que esses discursos entram em conflito com os valores fundamentais da cultura hip-hop.
Emicida lamentou ter sido “vítima da economia da atenção” após a exposição de sua vida pessoal no último ano, mas considera essa página virada. Ele reforça que sua trajetória é pautada em ser fiel a si mesmo e focar no que precisa ser compartilhado com o mundo, distanciando-se do interesse em expor sua vida privada nas redes sociais.




