Empresário amigo de Trump deixa governo após racha interno e acusa vice-secretário de Estado de vazar informações
O empresário ítalo-americano Paolo Zampolli, amigo de longa data de Donald Trump e ex-enviado especial dos Estados Unidos para parcerias globais, deixou o governo americano. Sua saída ocorreu após uma disputa interna que veio à tona através de reportagem do site Politico, e Zampolli acusou diretamente o vice-secretário de Estado, Christopher Landau, de vazar informações sigilosas para a imprensa.
Em declarações à Folha, Zampolli minimizou o episódio, ocorrido poucas horas após a divulgação de e-mails que detalhavam meses de desentendimentos entre os dois integrantes do governo. Ele afirmou ter conversado pessoalmente com Trump sobre sua decisão, buscando esclarecer os fatos e apontar Landau como o responsável pelos vazamentos.
A saída de Zampolli, cuja nomeação de um ano havia sido prorrogada por mais seis meses por Trump, já era esperada, segundo ele. O empresário expressou o desejo de retornar aos seus negócios, pois não podia ser remunerado pelas transações que auxiliava a realizar enquanto servia ao governo. A notícia foi confirmada pelo Departamento de Estado, que, no entanto, não comentou as acusações contra Landau nem as circunstâncias da demissão.
Disputas internas e acusações de vazamento
Segundo o Politico, as divergências entre Zampolli e Landau escalaram para ataques mútuos, acusações de vazamentos e ameaças de ações judiciais. Landau, em e-mails obtidos pela publicação, tentou limitar as atribuições de Zampolli à diplomacia cultural, considerando que ele extrapolava suas funções. Zampolli, por sua vez, defendia que sua nomeação direta por Trump lhe conferia autoridade exclusiva, sendo apenas o presidente capaz de destituí-lo do cargo.
A troca de mensagens envolveu outros funcionários e se intensificou com a alegação de vazamentos para a imprensa. Landau, conforme reportado pelo Politico, negou veementemente ser o responsável por tais vazamentos. Zampolli, ao comentar o caso, questionou o que seria um escândalo, referindo-se à disputa com Landau como um mero desentendimento.
Controvérsia com ex-companheira e disputa pela guarda do filho
A passagem de Paolo Zampolli pelo governo também foi marcada por uma polêmica envolvendo sua ex-companheira, a modelo brasileira Amanda Ungaro, mãe de seu filho. Em março, o New York Times revelou que Zampolli teria contatado um alto funcionário do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) durante uma disputa pela guarda do filho adolescente.
De acordo com a reportagem, Zampolli informou ao funcionário que Ungaro, presa em Miami sob suspeita de fraude trabalhista, estaria em situação irregular no país. Ele teria solicitado sua detenção, o que poderia lhe favorecer na disputa pela guarda. Após o contato, Ungaro foi detida e deportada para o Brasil.
Zampolli admitiu ter procurado o funcionário, mas negou ter tentado influenciar a detenção. O Departamento de Segurança Interna também se pronunciou, negando qualquer interferência política e afirmando que a prisão e deportação de Ungaro não tiveram motivações políticas. Zampolli também fez declarações controversas sobre brasileiras, afirmando que elas eram “programadas para causar confusão”.
Retorno aos negócios e relação com Trump
Após deixar o governo, Zampolli agradeceu a Trump e ao senador Marco Rubio, declarando que servir aos Estados Unidos foi uma honra. Ele expressou manter a proximidade com Trump e planos de retomar seus negócios, destacando a oportunidade de voltar a ganhar dinheiro, algo que não era possível no cargo público. “Quando você trabalha para o presidente, não pode ser pago. Quer dizer, pode, mas pode acabar na cadeia”, explicou.
Questionado sobre seus próximos passos, Zampolli demonstrou otimismo, afirmando que tentará ganhar dinheiro. Ele encerrou a entrevista de forma evasiva, dizendo que o que fosse escrito não faria diferença, e que tinha um compromisso a cumprir. Sua saída do governo, portanto, marca um novo capítulo em sua carreira, com foco no setor privado e na continuidade de sua relação com Donald Trump.





