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Estrela não está sozinha: GPA, Botafogo e Raízen lideram lista de grandes empresas em recuperação judicial e extrajudicial em 2024

Grandes empresas brasileiras buscam alívio financeiro através de recuperações judiciais e extrajudiciais em 2024.

O anúncio de recuperação judicial da tradicional fabricante de brinquedos Estrela, nesta quarta-feira (20), ecoa um movimento mais amplo no cenário empresarial brasileiro. Diversas companhias de peso, enfrentando dificuldades financeiras, também recorreram a processos de reestruturação para lidar com suas dívidas e reorganizar suas operações.

Desde o início do ano, nomes como GPA, Toky, Raízen e até mesmo a SAF do Botafogo protocolaram pedidos de recuperação, seja judicial ou extrajudicial. Esses casos refletem um aumento preocupante no número de empresas buscando saídas legais para suas crises financeiras, um reflexo direto de um ambiente econômico desafiador.

Os dados da RGF Associados indicam um crescimento de 21,5% no número de recuperações judiciais no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior, atingindo 5.931 companhias. Esse cenário, que não inclui a Estrela e outras empresas que iniciaram seus processos após março, ou optaram pela via extrajudicial, aponta para uma tendência de alta, impulsionada principalmente pelo alto custo de capital e pela dificuldade de acesso ao crédito, fatores agravados pela taxa de juros elevada no Brasil, conforme aponta a fonte.

GPA busca reequilíbrio financeiro com recuperação extrajudicial

Em março, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) teve seu pedido de recuperação extrajudicial aceito pela Justiça. A rede varejista, com dívidas estimadas em cerca de R$ 4,5 bilhões em obrigações sem garantia, busca renegociar contratos, reduzir investimentos e alienar imóveis para restaurar seu equilíbrio financeiro.

Grupo Toky entra em recuperação judicial com dívida superior a R$ 1 bilhão

O Grupo Toky, que engloba as marcas Tok&Stok e Mobly, protocolou em maio um pedido de recuperação judicial sob segredo de justiça. A empresa alega um endividamento superior a R$ 1 bilhão, atribuindo a crise a um cenário macroeconômico desafiador, com altas taxas de juros e endividamento das famílias. Restrições de estoque também afetaram a liquidez, motivando o pedido emergencial para proteger ativos e viabilizar a reestruturação.

Raízen renegocia R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras

A Raízen, atuante nos setores de energia e processamento de etanol, também optou pela recuperação extrajudicial em março. O plano abrange a renegociação de dívidas financeiras estimadas em aproximadamente R$ 65,1 bilhões. A alta alavancagem financeira, aliada a fatores climáticos adversos e divergências entre sócios, levaram a empresa a buscar um acordo consensual com seus principais credores, que já detêm mais de 47% das obrigações financeiras listadas.

CVLB Brasil e SAF do Botafogo também buscam reestruturação

A CVLB Brasil, resultado da fusão entre Casa & Vídeo e Le Biscuit, protocolou seu pedido de recuperação judicial em abril, convertendo um regime cautelar provisório em um instrumento jurídico definitivo para proteger seus ativos durante as negociações com credores. Já a SAF do Botafogo teve seu pedido aceito pela Justiça do Rio de Janeiro, reconhecendo um passivo total estimado em R$ 2,5 bilhões, com R$ 1,28 bilhão diretamente incluído no processo de recuperação. O clube enfrenta forte pressão financeira, incluindo pendências internacionais e sanções da Fifa.

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