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Ex-presidente do INSS culpa Ministério da Previdência por filas de benefícios e rebate demissão: “Saio de consciência tranquila”

Ex-presidente do INSS atribui filas ao Ministério da Previdência e defende sua gestão após demissão

O agora ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Junior, rompeu o silêncio após sua demissão, atribuindo a responsabilidade pela extensa fila de espera por benefícios ao Ministério da Previdência Social. A troca no comando do órgão ocorreu sob pressão do governo federal, que busca cumprir a promessa de campanha de reduzir o acúmulo de pedidos, especialmente com as próximas eleições se aproximando.

Waller Junior argumenta que a maior parte dos casos em atraso depende de perícia médica, uma atribuição direta do ministério e não da estrutura interna do INSS. Segundo ele, a demissão deveria recair sobre o órgão superior, e não sobre os gestores do INSS.

“Se for a fila, quem teria quer ser exonerado não era ninguém do INSS. A maioria dos que esperam há mais de 45 dias depende de perícia médica, que é de responsabilidade do ministério”, declarou o ex-presidente em entrevista à Folha de S. Paulo. Conforme informação divulgada pela Folha de S. Paulo, o ex-presidente rebateu a justificativa oficial do Ministério da Previdência, que alegou a mudança visava “acelerar a análise de benefícios”, afirmando que sua gestão já havia promovido uma redução significativa no tempo de espera.

Fila de benefícios e responsabilidade do Ministério

A fila de espera por benefícios do INSS soma cerca de 2,7 milhões de pedidos até março, um número ainda considerado alto, apesar de uma queda de aproximadamente 300 mil solicitações no período. Dados do próprio INSS indicam que mais de 821 mil pessoas aguardam há mais de 45 dias, sendo a maioria dependente de perícia médica, serviço sob responsabilidade direta do Ministério da Previdência.

“Estou tranquilo, saio de consciência tranquila. Hoje, a fila é menor do que quando assumi, em abril de 2025, mesmo com aumento de requerimentos por mês. E deixo o órgão sem problemas no sistema”, afirmou Waller Junior. Ele destacou que o INSS registrou um recorde histórico de concessões em março, com 890 mil benefícios liberados, e que as análises de 1,6 milhão de pedidos foram concluídas no mesmo período.

Falhas tecnológicas e prejuízos aos cofres públicos

Uma nota técnica do próprio INSS, citada pelo ex-presidente, aponta que falhas tecnológicas e a Dataprev, responsável pelos sistemas, contribuem para a demora. Incidentes sistêmicos teriam gerado um impacto direto na produtividade, resultando em um prejuízo de mais de R$ 233 milhões aos cofres públicos entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026. Essas instabilidades afetaram diretamente as Centrais de Análise de Benefícios, prejudicando mais de 1,7 milhão de pontos de abatimento sistêmico e cerca de 2,9 milhões de horas de trabalho.

Medidas do Ministério e críticas à comunicação da demissão

Em resposta, o Ministério da Previdência atribuiu a recente redução da fila a medidas adotadas pela própria pasta, como mutirões, contratação de 500 peritos, uso de telemedicina e implementação de novos sistemas. O órgão retomou o pagamento de bônus de desempenho a servidores e implementou um cadastro nacional unificado para diversos tipos de benefícios, além de reforçar ações de “pente-fino” para reavaliação de benefícios assistenciais e previdenciários.

Gilberto Waller Junior também lamentou a forma como foi comunicado sobre sua demissão, que não partiu diretamente do ministro da Previdência nem do presidente da República, mas sim do secretário-executivo da pasta. Ele relembrou que sua nomeação, em abril do ano passado, foi a pedido do advogado-geral da União, Jorge Messias.

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