Filho de embaixador de Israel nos EUA em estado grave após atropelamento na Cisjordânia
O filho do embaixador de Israel nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, encontra-se em estado grave após ser atropelado em um posto de controle na Cisjordânia ocupada. Neria Leiter, de 39 anos, foi atingido por um palestino na quarta-feira (23) enquanto realizava verificações em veículos.
O soldado reservista passou por uma complexa cirurgia cerebral que durou várias horas no Centro Médico Shaare Zedek, em Jerusalém. Seu pai, o embaixador Yechiel Leiter, expressou profunda preocupação, descrevendo o estado do filho como crítico e necessitando de um milagre.
Este trágico evento adiciona mais dor à família Leiter, pois o irmão mais velho de Neria, o major Moshe Yedidya Leiter, foi morto em combate no norte de Gaza em novembro de 2023. O embaixador Leiter, conforme relatado pelo jornal The Times of Israel, criticou a postura de líderes internacionais, como o presidente francês Emmanuel Macron, diante da escalada de violência na região.
Neria Leiter em estado crítico após ataque deliberado
Neria Leiter estava de serviço ao lado de um policial quando o ataque ocorreu. Segundo seu pai, o embaixador Yechiel Leiter, o filho foi estabilizado, mas ainda corre risco de morte. O diplomata, que deveria acompanhar o discurso do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu na Assembleia Geral da ONU, permaneceu em Jerusalém para ficar ao lado do filho.
Em uma postagem no X, o embaixador Leiter revelou que Neria optou por continuar servindo como reservista mesmo após a morte de seu irmão, acumulando centenas de dias de serviço em diversas frentes desde 7 de outubro. Ele enfatizou que o terrorismo palestino visa expulsar o povo de Israel de suas terras.
Críticas a Macron e expansão de assentamentos israelenses
O embaixador Leiter também dirigiu críticas ao presidente francês Emmanuel Macron, que em discurso na ONU mencionou a violência de colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia. Leiter acusou Macron de agir com ignorância, malícia ou perversidade ao afirmar que o Hamas nunca prejudicou judeus na Judeia e Samaria, termo bíblico usado por Israel para a região.
A declaração de Leiter ocorre em um momento de aumento da tensão, com o premiê israelense promovendo a expansão dos assentamentos na Cisjordânia. A violência contra palestinos no território ocupado por Israel tem se intensificado desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza.
Contexto da Cisjordânia e a questão dos assentamentos
Os assentamentos israelenses são comunidades construídas na Cisjordânia, território ocupado militarmente por Israel desde 1967 e reivindicado pelos palestinos como parte de seu futuro Estado. A comunidade internacional considera esses assentamentos ilegais perante o direito internacional, pois a Convenção de Genebra proíbe a transferência de população de um país ocupante para o território ocupado.
Atualmente, a Cisjordânia abriga cerca de 3 milhões de palestinos e 500 mil colonos israelenses. A comunidade internacional tem denunciado o aumento da violência e elevado a pressão contra planos como o projeto E1, que prevê a construção de milhares de moradias em uma área estratégica a leste de Jerusalém, potencialmente fragmentando ainda mais o território palestino e dificultando a criação de um Estado palestino viável.





