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Fim da Escala 6×1: Deputado Alerta que Proposta pode Proibir Trabalhadores de Trabalharem Mesmo com Vontade e Aumentar Custos

Deputado Gilson Marques critica proposta de fim da escala 6×1 e alerta para consequências econômicas e de liberdade de trabalho

A discussão sobre o fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados tem gerado intenso debate. Enquanto o governo e aliados defendem a medida como um avanço na qualidade de vida dos trabalhadores, a oposição levanta preocupações sobre o impacto econômico e a restrição à liberdade individual. O deputado Gilson Marques (Novo-SC) é um dos críticos mais vocais da proposta.

Em entrevista à Gazeta do Povo, Marques expressou seu descontentamento com a forma como a proposta está sendo conduzida, classificando-a como uma decisão de cima para baixo, sem considerar as particularidades regionais do Brasil. Ele argumenta que a mudança pode, paradoxalmente, prejudicar justamente aqueles que se pretende ajudar.

O parlamentar também aponta para um possível viés eleitoral na aceleração da tramitação da PEC, especialmente com as eleições de 2026 se aproximando. Segundo ele, muitos políticos estariam votando a favor da proposta por popularidade, e não por convicção de seus benefícios para o país. Conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo, o deputado acredita que a medida visa proibir as pessoas de trabalharem mesmo que queiram.

Críticas à Proposta e Impactos Econômicos

O deputado Gilson Marques critica a proposta de fim da escala 6×1, afirmando que a discussão está “barata-tonta” e que ninguém sabe as reais consequências da medida. Ele destaca que uma decisão nacional pode ter impactos diferentes em regiões com níveis de desemprego distintos, como Santa Catarina, que tem pleno emprego, e a Bahia, com desemprego superior a 9%.

“Se você aumenta o custo do trabalho — porque a pessoa trabalharia menos ganhando o mesmo — isso é cruel para quem está desempregado, pois torna a contratação mais difícil”, explicou o deputado. Ele argumenta que a intenção de “modernizar” na verdade se traduz em proibir as pessoas de trabalharem, transformando o trabalho em um dever, e não mais em um direito.

Aumento de Custos e Inflação como Consequências

Questionado sobre como os empresários arcaria com o custo de manter o mesmo salário com jornada reduzida, Marques foi categórico: “Esse cenário não existe.” Segundo ele, o empresário não absorverá o custo adicional do próprio bolso, mas sim repassará o valor para o preço de produtos e serviços.

“A padaria ou a farmácia vão cobrar mais caro pelo pão e pelo remédio”, exemplificou o deputado. Ele ressalta que, no final, quem mais sofrerá com o aumento de preços são os próprios trabalhadores, que, segundo ele, são os que os políticos dizem estar defendendo. A consequência real, na visão do parlamentar, é fazer com que as pessoas paguem tudo mais caro.

Contaminação Eleitoral e Liberdade de Escolha

Gilson Marques acredita firmemente que a discussão sobre o fim da escala 6×1 está contaminada pelo calendário eleitoral. Ele afirma que a maioria dos parlamentares envolvidos busca a reeleição e vê na pauta algo popular que pode ajudar nas urnas. O próprio presidente Lula, segundo o deputado, enxerga a questão como uma “bala de prata” para aumentar sua popularidade.

“Muitos parlamentares sabem que a proposta é ruim para o país hoje, mas votarão a favor por medo de comprometer a reeleição. Preferem votar contra a consciência para se manter no poder”, declarou o deputado. Ele defende que a melhor alternativa para a jornada de trabalho é a **liberdade de escolha**, permitindo que trabalhador e empregador decidam como querem trabalhar, com horas pagas proporcionalmente.

Emendas e Voto em Separado para Defender a Negociação

Diante do cenário, o deputado Gilson Marques pretende apresentar emendas e um voto em separado durante a análise do texto na comissão especial. Ele já assinou mais de uma dezena de emendas com o objetivo de garantir maior liberdade de negociação entre empregado e empregador.

“O que não pode é Brasília, que não produz nada e vive do setor público, ditar como os outros devem produzir”, enfatizou Marques. Ele acredita que a votação da proposta deve ocorrer ainda neste semestre, impulsionada pela proximidade das eleições oficiais, o que, segundo ele, é a prioridade de muitos parlamentares.

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