Justiça de São Paulo aprova recuperação judicial do Grupo Fictor, que acumula dívidas de mais de R$ 4 bilhões
Em uma decisão que pode trazer um alívio para milhares de investidores e credores, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) autorizou a abertura do processo de recuperação judicial do Grupo Fictor. A medida abrange a Fictor Holding e a Fictor Invest, empresas que juntas declararam um passivo financeiro expressivo, superior a R$ 4 bilhões.
A partir de agora, as empresas terão um prazo de 60 dias para elaborar e apresentar um plano detalhado de reestruturação aos seus credores. Este plano deverá contemplar formas de pagamento e a reorganização das finanças para tentar sanar o débito.
A juíza Fernanda Perez Jacomini, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do TJSP, destacou em seu despacho que a complexidade da estrutura do Grupo Fictor e a severa crise de liquidez, com resgates que atingiram R$ 3 bilhões, justificaram a decisão. Segundo a magistrada, o indeferimento do pedido poderia levar à insolvência do grupo, o que seria prejudicial a todos os credores. Conforme informado pelo jornal Folha de S. Paulo, a juíza também apontou que possíveis questionamentos sobre outras empresas ligadas ao grupo serão esclarecidos durante o processo de recuperação judicial.
Proteção aos credores: suspensão de cobranças por 180 dias
Uma das determinações mais importantes da decisão judicial é a suspensão de todas as cobranças e execuções de dívidas por um período de 180 dias. O objetivo principal, segundo a juíza, é justamente proteger os credores do Grupo Fictor, evitando que ações individuais agravem ainda mais a situação financeira das empresas e prejudiquem o processo de recuperação.
A magistrada ressaltou que, diante do cenário de crise econômica e financeira, a concessão da recuperação judicial é a medida mais adequada. Ela explicou que o indeferimento do pedido traria a consequente insolvência do grupo, motivada por execuções individuais, o que seria amplamente prejudicial aos demais credores, que poderiam não ter seus créditos satisfeitos.
Histórico do pedido de recuperação judicial e o caso Banco Master
O pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor foi protocolado em fevereiro. Inicialmente, a Justiça já havia concedido uma liminar para suspender a retenção, arresto, penhora e sequestro de bens dos devedores, um primeiro passo para resguardar o patrimônio. Dados do processo indicam que mais de 13 mil clientes e credores possuem recursos aplicados no Grupo Fictor.
Em um desdobramento que também gerou grande repercussão, em novembro de 2025, a Fictor Holding Financeira anunciou a intenção de compra do Banco Master, com um aporte previsto de R$ 3 bilhões. A operação envolveria um consórcio com investidores dos Emirados Árabes Unidos. Contudo, em março de 2026, Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, foi preso sob suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, ameaças e fraudes financeiras, adicionando um capítulo complexo ao histórico do grupo.





