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Governo Lula lança Desenrola 2.0 com juros altos e risco de novo endividamento

Governo Lula lança Desenrola 2.0 em busca de votos, mas medidas são criticadas por especialistas

Com a popularidade em baixa e o número de inadimplentes batendo recordes, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta em uma nova versão do programa Desenrola Brasil. Lançado nesta segunda-feira (4), o Desenrola 2.0 visa renegociar dívidas e reconquistar a confiança do eleitorado, especialmente aqueles mais afetados pelo endividamento.

A primeira edição do programa, iniciada em julho de 2023, gerou R$ 1,15 em novas dívidas para cada R$ 1 negociado, segundo dados do Banco Central. O cenário atual é ainda mais preocupante, com cerca de 80 milhões de brasileiros endividados, o que representa mais da metade da população adulta do país. O valor total dessas dívidas soma R$ 557 bilhões.

Apesar das críticas e dos resultados insatisf ‘os da primeira edição, o governo insiste na estratégia de renegociação de dívidas. Especialistas apontam que a medida pode ser paliativa e não ataca as causas estruturais do endividamento, como a falta de educação financeira e o modelo de negócios que lucra com a inadimplência. As informações são da Gazeta do Povo.

Desenrola 2.0: Uma aposta eleitoral em meio a números alarmantes

O lançamento do Desenrola 2.0 ocorre em um momento delicado para o governo Lula. Pesquisas recentes indicam um cenário eleitoral acirrado, com o senador Flávio Bolsonaro em empate técnico com o presidente em simulações de segundo turno. A perda do poder de compra e o endividamento das famílias são fatores que pesam na avaliação do eleitorado.

Dados do Banco Central revelam que aproximadamente 49% da renda das famílias brasileiras está comprometida com o pagamento de dívidas. Esse cenário pressiona o governo, que busca reverter a impopularidade com medidas como o Desenrola 2.0, parte de um “kit reeleição”.

Críticas à gestão e as causas estruturais do endividamento

O governo tenta se isentar de responsabilidade pelo aumento da inadimplência, atribuindo a culpa à gestão anterior de Jair Bolsonaro e ao crescimento das apostas online. No entanto, estudos apontam que os juros bancários atingiram o maior nível em nove anos sob a gestão atual. Uma pesquisa da FIA Business School indica que sites de apostas online, embora regulamentados pelo governo atual, pesam mais no endividamento das famílias do que os juros e o crédito.

O economista Claudio Shikida, do Instituto Millenium, critica a abordagem do governo, afirmando que a renegociação de dívidas, por si só, é válida, mas o problema reside na forma como é conduzida e articulada com outras políticas. Shikida aponta que o governo sinaliza que “gasto é vida” e que a expansão dos gastos públicos eleva os juros, pressionando as famílias.

Risco moral e a perpetuação do ciclo de dívidas

Especialistas em direito do consumidor, como Stefano Ribeiro Ferri, alertam para o “risco moral” que programas como o Desenrola 2.0 podem gerar. A falta de educação financeira e a expectativa de novas rodadas de renegociação podem incentivar a inadimplência, criando um ciclo vicioso. Ferri destaca três problemas estruturais: a falta de educação financeira, a expectativa de novas rodadas de perdão de dívidas e um modelo de negócio que lucra com a inadimplência crônica.

“A repetição desses programas pode induzir a ideia de que vale a pena esperar por descontos, o que distorce o comportamento e o próprio mercado de crédito”, avalia Ferri. Ele conclui que o Desenrola 2.0 alivia o presente, mas não resolve a falha estrutural, tornando-se uma “solução de curto prazo para uma falha estrutural”.

Bancos podem lucrar com o Desenrola 2.0, segundo análise

Apesar das críticas, bancos privados podem se beneficiar do Desenrola 2.0. Um estudo do JPMorgan sugere que a iniciativa pode ser positiva para as instituições financeiras, permitindo a recuperação de parte de créditos considerados perdidos. Cr��ditos com atraso superior a 90 dias, de pessoas com renda de até cinco salários-mínimos, são de alto risco e geralmente negociados com descontos elevados. O programa, com garantias do governo, pode permitir que o sistema financeiro recupere entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões.

O Ministério da Fazenda, por meio do ministro Dario Durigan, negou que o Desenrola 2.0 sirva para estimular o consumo e, consequentemente, aumentar a pressão inflacionária. No entanto, a pasta não detalhou os resultados da primeira versão do programa nem explicou o aumento do endividamento entre as edições. Questionamentos da Gazeta do Povo sobre essas questões não foram respondidos até a publicação da reportagem.

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