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Governo Trump Compartilhou Dados Sigilosos de Iranienses com Teerã, Expondo Refugiados a Riscos, Revelam Documentos Judiciais

EUA são acusados de compartilhar informações sigilosas de iranianos com Teerã, expondo refugiados a riscos

Documentos judiciais recém-apresentados nos Estados Unidos lançam uma luz perturbadora sobre as ações do governo de Donald Trump em relação a requerentes de asilo iranianos. As alegações sugerem que autoridades americanas teriam fornecido acesso extraordinário a representantes do Irã em Washington, compartilhando detalhes confidenciais sobre indivíduos que buscavam refúgio, pouco antes do início de um conflito militar entre os dois países.

Esses depoimentos, apresentados em uma ação judicial federal, detalham contatos que culminaram na deportação de mais de cem iranianos para Teerã entre setembro de 2025 e janeiro, um período crítico que antecedeu a intervenção militar dos EUA em fevereiro. As informações apontam para um possível vazamento de dados sensíveis, colocando em risco a segurança de pessoas que fugiram do regime iraniano.

O Fundo de Defesa Legal Iraniano-Americano, um grupo de direitos civis, apresentou essas declarações para embasar suas alegações de que o governo Trump teria compartilhado ilegalmente informações confidenciais com o regime do Irã. A prática, se comprovada, exporia dezenas de iranianos à perseguição em seu país de origem, contradizendo os princípios de asilo e proteção humanitária. Conforme informação divulgada em ação judicial federal nesta quarta-feira (15).

Acesso Extraordinário e Deportações em Massa

Um dos documentos detalha uma ligação telefônica e uma reunião ocorridas em março, onde um funcionário iraniano não identificado revelou que seu escritório mantinha comunicações constantes com o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos EUA sobre os esforços de deportação de iranianos. Cyrus Mehri, membro do conselho e advogado do Fundo de Defesa Legal Iraniano-Americano, descreveu essa comunicação como uma ligação “não solicitada e inesperada”.

Mehri relata ter informado o funcionário iraniano que eles estavam em “lados opostos” da questão, mas mesmo assim o contato continuou. O funcionário iraniano teria indicado que o objetivo do governo Trump era “se livrar de todos os iranianos” detidos em centros de imigração nos EUA. Segundo o processo, funcionários do Departamento de Estado teriam inicialmente compartilhado detalhes sobre indivíduos que haviam fugido do regime em Teerã.

Negações Oficiais e Contradições

Um porta-voz do Departamento de Segurança Interna, responsável pelo ICE, reiterou uma declaração anterior negando as afirmações contidas no processo, mas sem abordar os novos detalhes apresentados. Um porta-voz do Departamento de Estado não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. A ação judicial, no entanto, afirma que mesmo com as denúncias públicas de Trump sobre a repressão no Irã, autoridades americanas buscaram a Seção de Interesses do Irã, que representa Teerã através da Embaixada do Paquistão em Washington, em seus esforços de deportação em massa.

Investigação em Andamento

O juiz federal responsável pelo caso ainda não se pronunciou sobre as alegações ou sobre qualquer resposta apresentada pelo governo. A comunidade de direitos civis aguarda com expectativa os desdobramentos desta ação judicial, que pode revelar falhas graves na política de imigração e na proteção de refugiados sob a administração Trump. A possibilidade de que informações sigilosas de iranianos tenham sido compartilhadas com o regime de Teerã levanta sérias preocupações sobre a segurança e o destino desses indivíduos.

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