Servidores da Caixa e Banco do Brasil iniciam greve nacional por tempo indeterminado após impasse nas negociações sobre planos de saúde.
A partir desta quinta-feira (10), servidores da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil aderiram a uma greve por tempo indeterminado. A paralisação ocorre após o fracasso nas negociações referentes ao custeio dos planos de saúde oferecidos pelas instituições financeiras aos seus funcionários e dependentes.
Enquanto a greve na Caixa é nacional, abrangendo todas as unidades, no Banco do Brasil a adesão é parcial, com alguns funcionários decidindo cruzar os braços. A decisão afeta o atendimento em agências e pode impactar serviços bancários, levando clientes a buscarem alternativas digitais.
O acordo coletivo geral dos bancários foi assinado na quarta-feira (9), prevendo reajuste salarial, correção de benefícios e pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). No entanto, o ponto nevrálgico da discórdia, especialmente na Caixa, reside nas novas condições propostas para o plano de saúde, o Saúde Caixa.
Caixa: Aumento da Contribuição para Plano de Saúde Gera Greve Nacional
Na Caixa Econômica Federal, a principal reivindicação dos servidores está relacionada ao plano de saúde Saúde Caixa. Atualmente, os trabalhadores arcam com 3,5% do salário-base e um valor mensal por dependente, que varia conforme a idade. A proposta do banco previa um aumento significativo dessa contribuição, elevando-a para 5,5% do salário-base e aumentando o custo mensal por dependente.
Esta nova proposta foi rejeitada por uma expressiva maioria, com 93 bases sindicais recusando o acordo. Outras 35 bases também não aceitaram, mas optaram por manter as negociações em andamento. A alta rejeição evidencia a distância entre a proposta patronal e as expectativas dos funcionários, conforme destacou Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
Em nota, a Caixa afirmou que as negociações permanecem abertas, com o objetivo de renovar o acordo coletivo. O banco busca um entendimento que valorize os empregados, garanta a sustentabilidade da instituição e a continuidade dos serviços à sociedade.
Banco do Brasil: Greve Parcial e Negociações em Andamento
No Banco do Brasil, o impasse também gira em torno do plano de saúde, mas a adesão à greve não foi unânime entre os servidores. Dos sindicatos que realizaram assembleias, 39 aceitaram a proposta de aporte financeiro para manter o plano até novembro. Contudo, 60 sindicatos rejeitaram a proposta e decidiram continuar as negociações, enquanto 27 aprovaram a greve.
As bases sindicais que aderiram à paralisação incluem Belo Horizonte, Bahia, Ceará e Piauí. Em contrapartida, cidades como Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis rejeitaram a proposta, mas optaram por manter o diálogo aberto.
O Banco do Brasil informou que participa ativamente das negociações nacionais conduzidas pela Fenaban e mantém uma mesa específica para atender às demandas de seus funcionários, buscando um acordo que contemple os interesses de todas as partes envolvidas.
Alternativas para Clientes Durante a Greve
Diante da greve, os clientes da Caixa e do Banco do Brasil são orientados a utilizar os canais digitais, como aplicativos e internet banking, para realizar suas transações e acessar serviços bancários. A recomendação sindical é que os bancos informem os clientes sobre as opções disponíveis de atendimento remoto.
A presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, ressaltou que a greve é um direito constitucional e não deve prejudicar os clientes. A expectativa é que as instituições financeiras ofereçam soluções para minimizar os transtornos.
Acordo Coletivo Geral Garante Reajuste e PLR
É importante notar que o acordo coletivo geral dos bancários, assinado na quarta-feira (9), contempla um reajuste salarial acima da inflação para aproximadamente 500 mil trabalhadores. O acordo também prevê a correção de benefícios e o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
O índice definitivo do reajuste será divulgado na sexta-feira (11) e corresponderá ao INPC acumulado entre setembro de 2025 e agosto de 2026, acrescido de 0,6% de aumento real. A PLR de 2026 tem pagamento previsto até março de 2027, com uma antecipação esperada ainda neste mês, incluindo parcelas ligadas ao salário e ao lucro semestral registrado pelos bancos.





