Pentágono detalha gastos da guerra no Irã e revela impacto em estoques de munição
O Pentágono apresentou ao Congresso dos Estados Unidos um relatório detalhado sobre os custos da guerra no Irã, informando que as despesas atingiram a marca de US$ 43,6 bilhões (aproximadamente R$ 224 bilhões) até 3 de setembro. Este montante colossal reflete o intenso uso de armamentos e a mobilização de recursos militares.
A maior parte dessa verba, mais de 60%, foi destinada à compra de bombas, mísseis e outras munições. A divulgação, que pela primeira vez detalha as despesas por cada força militar e por tipo de armamento, lança luz sobre a dimensão financeira do conflito.
A Força Aérea dos EUA, por exemplo, gastou US$ 6,6 bilhões (R$ 33,9 bilhões) na operação de dezenas de esquadrões de caças e bombardeiros. A Marinha, por sua vez, desembolsou US$ 2,2 bilhões (R$ 11,3 bilhões) para manter mais de duas dezenas de navios de guerra, incluindo porta-aviões, em patrulha no estreito de Hormuz.
Exército e Forças Especiais também representam custos significativos
O Exército Americano teve um custo de US$ 1,6 bilhão (R$ 8,2 bilhões) para sustentar suas tropas na região, onde mais de 50 mil militares estão alocados para a missão de guerra, segundo o Comando Central dos EUA. As Forças de Operações Especiais também tiveram custos expressivos, com US$ 633 milhões (R$ 3,2 bilhões) destinados ao seu deslocamento e apoio.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, as Forças Armadas consumiram um total de US$ 28,1 bilhões (R$ 144 bilhões) em munições. Este consumo massivo gerou uma preocupação significativa, pois reduziu drasticamente os estoques globais de armas essenciais, como os mísseis interceptadores do sistema de defesa aérea Patriot. Além disso, suprimentos foram desviados de comandos militares dos EUA na Ásia e na Europa.
Danos a equipamentos e substituição elevam os custos
O Pentágono também gastou US$ 4,3 bilhões (R$ 22,1 bilhões) na substituição de dezenas de aeronaves de combate e outros armamentos e equipamentos que foram danificados ou destruídos durante os combates. Esses custos adicionais refletem a intensidade e os riscos da guerra no Irã.
As informações reveladas ao Congresso também indicam gastos em outras áreas críticas. Segundo uma autoridade do Congresso, que falou sob condição de anonimato, as Forças Armadas gastaram US$ 23,5 milhões (R$ 120,8 milhões) em “apoio médico interno” para militares americanos. O Pentágono registrou 18 militares mortos e mais de 830 feridos na guerra.
Custos ocultos e projeções futuras preocupam
O Comando de Transporte americano gastou US$ 92,1 milhões (R$ 473,4 milhões) para transportar suprimentos e equipamentos, enquanto o Comando Cibernético desembolsou US$ 10,5 milhões (R$ 53,9 milhões) em “operações de apoio cibernético”. Autoridades do Congresso apontam que os números apresentados pelo Pentágono podem estar subestimados.
Eles ressaltam que a estimativa não inclui US$ 1,5 bilhão (R$ 7,7 bilhões) em combustível e outros custos solicitados pelo governo Trump em um pedido de verba suplementar. Os custos de reparo ou substituição de bases militares americanas danificadas por ataques iranianos, como a base da Marinha no Bahrein, também não foram incluídos, pois o Pentágono considera o fechamento definitivo dessas instalações.
Um relatório do Escritório de Orçamento do Congresso estima que a guerra no Irã custou a Washington aproximadamente US$ 38 bilhões até 1º de agosto e projeta que o conflito continuará custando cerca de US$ 3 bilhões por mês. A recomposição dos estoques americanos de munição pode levar “pelo menos cinco anos”, segundo o órgão.
Apesar da recusa do Pentágono em fornecer todas as informações solicitadas, o Escritório de Orçamento baseou sua avaliação em bancos de dados governamentais e relatórios públicos. A estimativa do órgão orçamentário está alinhada com declarações anteriores do Secretário de Defesa, Pete Hegseth, que calculou os custos da guerra em US$ 37,5 bilhões. Hegseth e o governo Trump solicitam até US$ 70 bilhões (R$ 359 bilhões) em gastos militares emergenciais para cobrir os custos da guerra no Irã e financiar novas armas e efetivos.





